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Conheça os bastidores de “Bacantes”, peça do Teatro Oficina
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Zé Celso, em cena de "Bacantes" - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Zé Celso, em cena de ''Bacantes'' – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Por Miguel Arcanjo Prado

O Teat(r)o Oficina encena nova versão do espetáculo ''Bacantes'', que estreou 20 anos atrás, em sua sede, eleita o mais belo teatro do mundo pelo jornal inglês The Guardian, em São Paulo (r. Jaceguai, 520). A encenação vai até 23 de dezembro, sábado e domingo, 18h, com ingresso a R$ 60 a inteira, R$ 30 a meia e R$ 20 para moradores do bairro. A obra, que dura quase seis horas, é dirigida por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, e conta com música ao vivo. Baseado na obra de Eurípedes, o diretor coloca em cena questões do Brasil contemporâneo, como o machismo e o movimento feminista, o racismo, a luta de classes e a tomada do poder por forças conservadoras. A atriz e fotógrafa Jennifer Glass desvenda nesta galeria o espetáculo. Veja só quanta beleza.

O ator Tony Reis - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

O ator Tony Reis – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Zé Celso é maquiado por Sylvia Prado - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Zé Celso é maquiado por Sylvia Prado – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

O diretor de cena Otto Barros - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

O diretor de cena Otto Barros – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz Wallace Ruy - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz Wallace Ruy – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz Danielle Rosa - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz Danielle Rosa – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz e musicista Carina Iglecias - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz e musicista Carina Iglecias – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

O ator Lucas Andrade - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

O ator Lucas Andrade – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

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O cineasta Igor Marotti Dumont – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz Vera Valdez - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz Vera Valdez – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz Camila Mota - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

A atriz Camila Mota – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

O ator Marcio Telles - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

O ator Marcio Telles – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Os atores Lucas Andrade e Marcelo Drummond - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Os atores Lucas Andrade e Marcelo Drummond – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

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Opinião: Amante das palavras, Ferreira Gullar tinha a língua afiada
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O poeta Ferreira Gullar (1930-2016)

O poeta Ferreira Gullar (1930-2016)

Por Miguel Arcanjo Prado

Ferreira Gullar não tinha medo das palavras. Muito pelo contrário, fazia o que queria com elas. As usava para provocar, para quebrar a ordem vigente. O artista maranhense, que morreu neste domingo (4), aos 86 anos, no Rio, vítima de uma pneumonia, gostava mesmo era do confronto de ideias, de discursos.

Grande nome não só da poesia quanto do jornalismo cultural brasileiro, ao longo da vida não hesitou em rever seus próprios conceitos, e valores, sendo que começou na juventude como militante do Partido Comunista e, nos últimos anos, defendia em seus artigos um pensamento mais conservador.

Entretanto, independentemente das posições ideológicas distintas ao longo da vida, Gullar sempre utilizou as palavras de modo eloquente e impactante, como é próprio dos grandes poetas, na defesa de seu ponto de vista.

Ao saber de sua morte, é impossível não lembrar-me da entrevista que fiz com o mestre das palavras, há exatos dez anos.

Ferreira Gullar: mestre da poesia concreta - Foto: Divulgação

Ferreira Gullar: mestre da poesia concreta – Foto: Divulgação

Língua afiada

Era 2006, ainda vivia em Belo Horizonte, cursava meu último ano de comunicação social na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais e estagiava na reportagem do Boletim da UFMG, órgão informativo do campus editado pelo jornalista Flávio Almeida.

Com ampla liberdade na sugestão de pautas, pedi para entrevistar com exclusividade Ferreira Gullar, por conta dos 50 anos da poesia concreta, movimento que ele ajudou a criar ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e também de Décio Pignatari em 1956.

A conversa foi ótima. Tanto que me lembro que Flávio manchetou com gosto assim: “Língua concreta (e afiada)”. Título que reproduzo, de certa forma, neste texto.

Afinal, Ferreira Gullar falou de tudo sem reservas. Disse que os irmãos Augusto e Haroldo de Campos tinham mania de querer inventar uma nova forma matemática para a poesia, o que ele não concordava. “Nunca pensei em ser vanguardista! Isso era coisa do pessoal de São Paulo. Eu só aderi ao movimento porque sabia que, se não entrasse, a minha obra seria assimilada por eles”, revelou, com sinceridade.

Contou que a ruptura com os irmãos Campos se deu em 1957 por divergências: “Eles tinham escrito uma espécie de ‘plano-piloto’ da poesia concreta, inspirado em Brasília. Eu disse: ‘Isso é coisa de arquitetura!’. Depois o Augusto veio com um artigo intitulado ‘A Matémática da Composição’, que dizia que a poesia concreta seria criada por meio de uma equação matemática. Achei aquilo tudo um grande absurdo!”.

Bobagem filosófica

Sobre a tal equação para criar poesia proposta por Augusto de Campos, vociferou: “Isso é uma grande bobagem filosófica. Os irmãos de Campos foram pretensiosos, donos da verdade. Eles jamais conseguiram fazer essa poesia matemática que propuseram”.

Gullar ainda revelou que, por pouco, não fez parte de um novo movimento, que contou qual era com muito bom humor. “O Décio Pignatari veio ao Rio para um almoço comigo na casa do Reynaldo Jardim. O Décio dizia que tinha umas ideias para um movimento. Segundo ele, a indústria brasileira, que sempre havia sido de bens de consumo, estava se tornando uma indústria de base. O mesmo deveria acontecer com a poesia”, lembrou.

E prosseguiu: “Eu disse: ‘Você já tem alguma poesia desse movimento?’. Ao que ele respondeu: ‘Eu tenho um manifesto’. Pois eu retruquei: ‘Faça primeiro a poesia, depois a gente publica’. Eles nunca fizeram. Isso é uma característica da vanguarda, o mais importante é o manifesto. A obra vem em segundo lugar”. Mais Ferreira Gullar, impossível.

Ferreira Gullar em Buenos Aires em 1975 - Foto: Arquivo pessoal

Ferreira Gullar em Buenos Aires em 1975 – Foto: Arquivo pessoal

Leia a entrevista completa de Ferreira Gullar a Miguel Arcanjo Prado no Boletim da UFMG em 2006

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Radicado na Argentina, Léo Kildare Louback lança livro no Brasil
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O ator e dramaturgo Léo Kildare Louback - Foto: Guto Muniz

O ator e dramaturgo Léo Kildare Louback – Foto: Guto Muniz

Por Miguel Arcanjo Prado

O artista mineiro Léo Kildare Louback, 31 anos, atualmente radicado em Buenos Aires, após viver nos últimos meses em Montevidéu, está de volta ao Brasil. Ele faz breve passagem em seu país natal para lançar seu primeiro livro, “Sobre Voo”.

Com o subtítulo “Ou a Literatura Nasce com a Morte de um Pássaro”, a obra será lançada neste sábado (3), no Bar Estabelecimento (r. Monte Alegre, 160), em Belo Horizonte, a partir das 16h30.

Capa de "Sobre Voo", primeiro livro de Léo Kildare Louback

Capa de ''Sobre Voo'', primeiro livro de Léo Kildare Louback

A obra, que tem capa de Aleixo da Cruz, reúne 27 contos escritos entre 2004 e 2014 por Kildare, que é ator, dramaturgo e tradutor de alemão e espanhol. Muitos inspirados na vida do artista, que também já esteve com suas obras em Cuba, México e Chile.

''Já se vão mais de dez anos escrevendo e só agora sairão da gaveta meus monstrinhos'', diz, com seu humor habitual.

''Voltar a meu país, à cidade onde comecei a trabalhar com arte, é um privilégio e uma emoção. E fazer isso lançando um livro é ainda mais feliz'', fala.

Diz que o livro é sua ''loucura transposta em palavras, batimentos cardíacos transmutados em ritmo, inquietude em forma de som''.

''E tudo isso junto é o que me faz gargalhar alto ao estar em Belo Horizonte neste dezembro. E lançar este livro é um delicioso pretexto para reencontrar o lugar onde construí muitos afetos e onde escrevi toda minha esquizofrênica narrativa. Aqui foi onde tudo nasceu. Evoé'', declara.

O autor, que é formado pela Faculdade de Letras pela UFMG, além de ter estudado também na Universidade de Hamburgo, na Alemanha, afirma ter forte influência de Clarice Lispector em seus textos.

Na tarde/noite de autógrafos, artistas da capital mineira vão ler partes dos contos de Kildare, que fundou neste ano a produtora MartesNueve com o diretor e dramaturgo argentino Patricio Ruiz.

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“Já estive no segundo escalão da fama”, diz Alexandre Nero
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Alexandre Nero discute a fama em espetáculo - Foto: Divulgação

Alexandre Nero discute a fama em espetáculo – Foto: Priscila Prade/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O ator curitibano Alexandre Nero encontra suas raízes mineiras neste fim de semana, quando apresenta sua peça “O Grande Sucesso” no Cine Theatro Brasil Vallourec (av. Amazonas, 315), em Belo Horizonte, neste sábado (3), 20h, e domingo (4), 19h. A peça encerra o ano do projeto Teatro em Movimento, que levou grandes espetáculos à capital mineira, e tem apoio do VivoEncena. O ingresso varia de R$ 25 a R$ 70.

Na montagem, que rodou o Brasil, ele está ao lado dos colegas Carol Panesi, Edith Carmargo, Fernanda Fuchs, Fabio Cardoso, Eliezer Vander Brock, Marco Bravo e Rafael Camargo. A obra mostra um grupo de artistas coadjuvantes que estão na coxia de um teatro esperando sua vez de entrar em cena. A partir daí, o texto discute o que é sucesso e o que é fracasso.

Em entrevista exclusiva ao Blog do Arcanjo do UOL, Alexandre Nero, alçado ao posto de galã nacional da TV, comenta como enxerga o furacão da fama que tomou sua vida, além de revelar detalhes de sua trajetória e projetos futuros. Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Você passou por muitos fracassos antes de atingir o sucesso profissional? Foi difícil conseguir o reconhecimento de seu talento?
Alexandre Nero — Os fracassos são necessários, todas as pessoas erram muito mais do que acertam. A peça fala um pouco sobre da minha experiência e as experiências de todo elenco e equipe, porque todos nós somos artistas. Alguns estão nesse chamado “segundo escalão”, lugar onde eu já estive e poderei estar novamente, porque esse vai-e-vem faz parte da profissão da gente. Não espero reconhecimento e não sou de criar expectativas. Vou trabalhando, vou arriscando, mesmo que fracasse. Não faço nada pensando se esse ou aquele projeto vai ser bem sucedido. Antes de qualquer coisa, eu preciso gostar, mas se os outros também gostarem, melhor ainda.

Miguel Arcanjo Prado — O que mais mudou na sua vida após o sucesso na TV? Do que você mais sente falta da época em que não era famoso?
Alexandre Nero —As pessoas confundem muito sucesso com fama. Eu sempre me senti um sucesso, sempre fiz coisas que eu gostava e sempre vivi dignamente do meu trabalho. Acontece que quando você vai para a TV, em horário nobre, as pessoas te colocam em lugar quase sagrado, mas é tudo ilusório. Hoje é galã e amanhã volta ao chamado “segundo escalão”, na visão dessas pessoas. O mais chato de ser uma pessoa conhecida é a invasão da privacidade que ela traz, por um tipo de imprensa interessada em publicar qualquer coisa por um clique.

Elenco do espetáculo "O Grande Sucesso": sessões em BH - Foto: Divulgação

Elenco do espetáculo ''O Grande Sucesso'': sessões em BH – Foto: Priscila Prade/Divulgação

Miguel Arcanjo Prado — Você começou no teatro curitibano. Quem de lá ainda faz parte da sua vida?
Alexandre Nero — Muita gente. A minha experiência no teatro em Curitiba começou no Teatro Lala Schneider. Trabalhei com o João Luiz Fiani e depois com a Regina Vogue, Edson Bueno, Enéas Lour, Diego Fortes, Nadja Naira, muita gente da minha geração. Os poetas da cidade, o Grupo Fato, a família Vogue, Rafael Camargo e o Mario Schoemberger também  foram determinantes no que faço e do jeito que faço hoje.

Miguel Arcanjo Prado — Qual importância o Festival de Curitiba teve na sua história e tem no teatro brasileiro? Você ainda o frequenta?
Alexandre Nero — O Festival de Curitiba foi uma grande referência para o teatro brasileiro e pra mim foi muito importante. Foi a partir dali que eu fui chamado para fazer os meus primeiros trabalhos  e também a partir dali que eu vim morar no Rio. Não tenho conseguido estar em Curitiba em função das gravações, mas tenho muita vontade de voltar lá porque eu adoro o clima, não só da parte pensante do teatro, mas também da parte festiva também.

Nascido em Curitiba, Alexandre Nero passou infância em Minas - Foto: Divulgação

Nascido em Curitiba, Alexandre Nero passou infância em Minas – Foto: Priscila Prade/Divulgação

Miguel Arcanjo Prado — Você agora se apresenta em BH. Tem alguma história especial com Minas Gerais? Conte pra gente.
Alexandre Nero — Minha vida toda é ligada a Minas Gerais. Eu estudei em Minas e meu pai, meus avós, a família por parte de pai é mineira. Eu vou a Minas Gerais desde que eu nasci! Meu pai era de Muzambinho, eu sempre frequentei essa região e várias outras cidades de Minas. Passei muitos carnavais em Belo Horizonte! Dos 14 aos 17 eu estudei em Minas, passei a minha adolescência lá. Foi onde eu aprendi a tocar violão, onde as minhas referências musicais começaram com Milton Nascimento, Clube da Esquina….

Miguel Arcanjo Prado — O que você pretende fazer em 2017? Já tem projetos definidos no teatro, cinema e TV?
Alexandre Nero — Estou gravando a minissérie “Filhos da Pátria”, um texto do Bruno Mazzeo com um elenco fantástico, que estreia ano que vem na TV. Também ano que vem estreia o filme sobre o maestro João Carlos Martins , dirigido pelo Mauro Lima, se não me engano previsto para março. Já estou com muitas ideias na cabeça para um disco novo e também estudo algumas propostas para o cinema.

Alexandre Nero em cena de "O Grande Sucesso" - Foto: Divulgação

Alexandre Nero em cena de ''O Grande Sucesso'' – Foto: Priscila Prade/Divulgação

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Veja lista completa dos ganhadores do Prêmio APCA 2016
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Rita Lee e Aquarius são alguns dos vencedores do Prêmio APCA 2016 - Fotos: Divulgação

Rita Lee e Aquarius são alguns dos vencedores do Prêmio APCA 2016 – Fotos: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), instituição da qual este colunista é vice-presidente, escolheu os melhores de 2016 em assembleia realizada nesta quarta (30), no Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo em dez categorias: Arquitetura, Artes Visuais, Cinema, Literatura, Música Erudita, Música Popular, Rádio, Teatro, Teatro Infanto-Juvenil e Televisão. Não houve quorum para votação em Dança e em Moda. Os críticos destas áreas não explicaram o porquê das ausências.

Em conversa com o Blog do Arcanjo do UOL, o presidente da APCA, José Henrique Fabre Rolim, informou que já está ''em contato com os críticos de Dança e Moda, ausentes na assembleia desta quarta, para que se reúnam ainda neste mês para escolherem os ganhadores destas duas categorias''. Segundo Fabre Rolim, esta lista complementar de vencedores ''será divulgada até o fim deste ano''.

O Prêmio APCA 2016, o 60º da tradicional entidade, será entregue no primeiro trimestre de 2017 em cerimônia São Paulo. A APCA existe deste 1956 e é a mais tradicional entidade de críticos de artes do Brasil.

Veja a lista completa dos premiados:

ARQUITETURA
Trajetória: Sergio Ferro
Urbanidade: Projeto Ruas Abertas – Avenida Paulista / Fernando Haddad
Obra de arquitetura: Escola Senai São Caetano do Sul / Claudia Nucci e Valério Pietraróia – NPC Grupo Arquitetura
Preservação de patrimônio moderno: Luciano Brito Galeria – antiga Residência Castor Delgado Perez / Luciana Brito (promotora); João Paulo Beugger, José Armênio de Brito Cruz, Marcos Aldrighi e Renata Semin – Piratininga Arquitetos (readequação arquitetônica); André Paoliello (readequação paisagística)
Pesquisa: Atlas fotográfico da cidade de São Paulo e arredores / Tuca Vieira
Fronteiras da arquitetura: Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro / Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington
Apropriação urbana: Ocupação Hotel Cambridge / Carmen Ferreira da Silva (líder comunitária); Pitchou Luambo (coordenador do Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto); Juliana Caffé, Yudi Rafael e Alex Flynn (curadores da Residência Artística Cambridge)
Votaram: Abilio Guerra, Fernando Serapião, Francesco Perrotta-Bosch, Gabriel Kogan, Guilherme Wisnik, Hugo Segawa, Luiz Recaman, Maria Isabel Villac, Mônica Junqueira de Camargo e Nadia Somekh

ARTES VISUAIS
Grande Prêmio Da Critica: Fernando Lemos
Exposição internacional: ''O Triunfo da Cor'' (CCBB)
Exposição nacional: ''VOLPI Pequenos Formatos'' (MAM)
Retrospectiva: ''No Lugar Mesmo: Uma Antologia de Ana Maria Tavares'' (Pinacoteca)
Fotografia: Gal Oppido (''Sentidos da Pele'')
Arte e Reflexão: ''O Instante Certo'' (Dorrit Harazin)
Iniciativa cultural: ''Programa Metropolis'' (TV Cultura)
Votaram: Antonio Santoro Jr., Antonio Zago, Bob Sousa, Dalva Abrantes, Douglas Negrisolli, Emília Okubo, Fábio Magalhães, Jacob Klintwitz, João J. Spinelli, José Henrique Fabre Rolim, Luiz Ernesto Machado Kawall, Ricardo Nicola, Rubens Fernandes Júnior, Silvia Balady

CINEMA
Filme: “Aquarius”,de Kleber Mendonça Filho
Diretor: Gabriel Mascaro, por “Boi Neon”
Roteiro: Kleber Mendonça Filho por “Aquarius”
Ator: Júlio Andrade, por “Sob Pressão”
Atriz: Andréia Horta, por “Elis”
Documentário: “Cinema Novo”, de Eryk Rocha
Fotografia: Diego García, por “Boi Neon”
Votaram: Inácio Araújo, Luiz Carlos Merten, Orlando Margarido, Rodrigo Baldin e Walter Cezar Addeo

LITERATURA
Grande Prêmio da Crítica: “A Ditadura Acabada -5”, de Elio Gaspari (Intrínseca)
Romance/Novela: “Como Se Estivéssemos em Palimpsesto de putas”, de Elvira Vigna (Companhia das Letras)
Ensaio/Teoria e/ou Crítica Literária/ Reportagem: “Trópicos Utópicos”, de Eduardo Giannetti da Fonseca (Companhia das Letras)
Infantil/Juvenil: “Quem tem medo de curupira?”, de Zeca Baleiro, ilustrações de Raul Aguiar (Companhia das Letras)
Poesia: “Rol”, de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)
Contos/Crônicas: “A(s) Mulher(es) que eu amo”, de Eros Grau (Globo Livros)
Tradução: “[um amor feliz]”, de Wislawa Szymborska, tradução de Regina Przybycien (Companhia das Letras)
Biografia/Autobiografia/Memória: “Rita Lee: Uma Biografia”, de Rita Lee (Globo Livros)
Votaram: Amilton Pinheiro, Gabriel Kwak, Sérgio Miguez e Ubiratan Brasil

MÚSICA ERUDITA
Espetáculo de ópera: Don Quichotte de Massenet. (Theatro São Pedro, abril/2016, direção Jorge Takla)
Prêmio Especial pelo conjunto da obra: Maestro Roberto Duarte (pela revisão sistemática das obras de Carlos Gomes e de Tommaso Traetta)
Instrumentista: Emannuele Baldini (Spalla da OSESP e Líder do Quarteto OSESP)
Regente de Orquestra: Valentina Pelleggi
Projeto Musical: Programa Preludio da TV Cultura
Cantor Lírico: Rodolfo Giugliani (Lo Schiavo, Theatro Municipal RJ outubro/2016; Il Tabarro, Teatro San Carlo de Nápoles, novembro/2016)
Votaram: Sergio Casoy, Fabio Siqueira, Tellé Cardim

MÚSICA POPULAR
Grande Prêmio da Crítica: Rita Lee (por sua carreira)
Artista do Ano: Céu
Melhor Álbum: “MM3”, Metá Metá
Produção e Direção Artística: Rica Amabis, Daniel “Ganjaman” Takara e Tejo Damasceno por “Sabotage”, Sabotage
Revelação: Mahmundi por “Mahmundi”
Projeto Especial: SIM São Paulo
Show: BaianaSystem
Homenagem: Fernando Faro (In Memorian)
Votaram: Alexandre Matias, Fabio Siqueira, José Norberto Flesch, Marcelo Costa, Sergio Casoy e Tellé Cardim

RÁDIO
Prêmio Especial do Júri: Bradesco Esportes FM, pela cobertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016
Humorista: Emerson França – Band Bom Dia – Band FM
Apresentador (entretenimento): Serafim Costa Almeida – Banda de Todas as Bandas – Capital AM 1040
Produtor (entretenimento): Mariana Piza – Programa Maritaca – Rádio Vozes
Produtor jornalístico: Renan Sukevicius – Em Alta Frequência – BandNews FM
Repórter: Marcel Naves – Blitz Estadão – Estadão FM
Colunista: – Claudio Zaidan – Esporte Notícia e Esporte Notícia Internacional – Bandeirantes AM/FM
Votaram: Fausto Silva Neto, Marcelo Abud, Marco Antonio Ribeiro e Silvio di Nardo

TEATRO
Grande Prêmio da Crítica:
Maria Alice Vergueiro
Espetáculo: Sobre Ratos e Homens
Diretor: João Falcão (Gabriela, um Musical) e Kiko Marques (Sínthia)
Autor/Dramaturgia: Vinicius Calderoni (Os Arqueólogos)
Ator: Leonardo Fernandes (Cachorro Enterrado Vivo)
Atriz: Denise Weinberg (O Testamento de Maria)
Prêmio Especial: Lenise Pinheiro (pelo registro histórico da cena teatral paulista)
Votaram: Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha (votou somente o Prêmio Especial e o Grande Prêmio da Crítica), Carmelinda Guimarães, Edgar Olimpio de Souza, Evaristo Martins de Azevedo, Gabriela Mellão, José Cetra Filho, Kyra Piscitelli, Marcio Aquiles (votou somente o Prêmio Especial e o Grande Prêmio da Crítica), Maria Eugênia de Menezes, Michel Fernandes, Miguel Arcanjo Prado e Vinício Angelici

TEATRO INFANTO-JUVENIL
Grande Prêmio da Crítica: Peer Gynt, direção de Gabriel Villela
Espetáculo de Valorização da Cultura Popular: CAMINHO DA ROÇA (Grupo As Meninas do Conto)
Espetáculo de Bonecos: Berenices (Grupo Morpheus Teatro)
Espetáculo de Inclusão e Acessibilidade: Feio (Coletivo Grão de Arte e Cidadania)
Espetáculo Interativo: Chiquita Bacana no Reino das Bananas (Grupo Folias D’Arte)
Espetáculo de Texto Adaptado: Henriques (Cia Vagalum Tum Tum)
Espetáculo sobre Diversidade Sexual e de Gênero no Universo Infanto Juvenil: A Princesa e a Costureira (grupo Teatro da Conspiração, de Santo André)
Votaram: Beatriz Rosenberg, Dib Carneiro Neto, Gabriela Romeu e Mônica Rodrigues da Costa

TELEVISÃO
Grande Prêmio da Crítica: Domingos Montagner, pelo conjunto da obra (In Memoriam)
Novela: “Velho Chico” (Benedito Ruy Barbosa/TV Globo)
Atriz: Selma Egrei (Velho Chico/TV Globo)
Ator: Marco Ricca (Liberdade, Liberdade/TV Globo)
Diretor: José Luiz Villamarim (Justiça/TV Globo)
Série: Justiça (de Manuela Dias/TV Globo)
Infantil: “D.P.A – Detetives do Prédio Azul” (Gloob)
Cobertura Rio-2016: SporTV
Votaram: Bárbara Sacchitiello, Cristina Padiglione, Edianez Parente, Fabio Maksymczuk, Flávio Ricco, José Armando Vanucci, Leão Lobo, Neuber Fischer, Nilson Xavier e Paulo Gustavo Pereira

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Veja quem levou o Prêmio APCA 2016 em teatro
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Denise Weinberg e Leonardo Fernandes: melhores atores de teatro em 2016 para a APCA

Denise Weinberg e Leonardo Fernandes: melhores atores de teatro em 2016 para a APCA

Por Miguel Arcanjo Prado

Os críticos da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), entidade da qual este colunista é vice-presidente, se reuniram na noite desta quarta (30), no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, para definir os melhores do ano.

Na categoria teatro, a pioneira da entidade de 60 anos, os críticos escolheram quem mais se destacou na cena paulista em 2016. Os vencedores receberão o troféu da entidade em cerimônia a ser realizada em março de 2017 na capital paulista.

Veja lista completa dos ganhadores nas dez categorias

Veja, abaixo, a lista dos vencedores em teatro:

Melhor autor
Vinicius Calderoni, por ''Os Arqueólogos''

Melhor ator 
Leonardo Fernandes, por ''Cachorro Enterrado Vivo''

Melhor atriz
Denise Weinberg, por ''O Testamento de Maria''

Melhor diretor
Kiko Marques, por ''Sínthia'', e João Falcão, por ''Gabriela, um Musical'', empatados

Melhor espetáculo
''Sobre Ratos e Homens''

Grande Prêmio da Crítica
Maria Alice Vergueiro, pela trajetória no teatro

Prêmio Especial
Lenise Pinheiro, pelo registro histórico da cena teatral paulista

Votaram: Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha (votou somente o Prêmio Especial e o Grande Prêmio da Crítica), Carmelinda Guimarães, Edgar Olimpio de Souza, Evaristo Martins de Azevedo, Gabriela Mellão, José Cetra Filho, Kyra Piscitelli, Marcio Aquiles (votou somente o Prêmio Especial e o Grande Prêmio da Crítica), Maria Eugênia de Menezes, Michel Fernandes, Miguel Arcanjo Prado e Vinício Angelici

Veja lista completa dos ganhadores nas dez categorias

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Filme histórico de Zé Celso, “O Rei da Vela” é exibo em SP remasterizado
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Cartaz do filme "O Rei da Vela", de Zé Celso: sessão em SP - Foto: Divulgação

Cartaz do filme ''O Rei da Vela'', de Zé Celso: sessão em SP – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O filme “O Rei da Vela”, de José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, e Noilton Nunes, será exibido nesta quarta (30), às 19h, em versão remasterizada, no Cinesesc (r. Augusta, 2075), em São Paulo, com entrada a R$ 12 a inteira.

A obra é baseada no espetáculo montado em 1967 pelo Teat(r)o Oficina sob direção de Zé Celso a partir da obra de Oswald de Andrade.

As imagens do longa foram filmadas em uma apresentação de 1971, no Teatro João Caetano, no Rio, mas o filme só foi concluído quando Zé Celso voltou do exílio, em 1982.

A histórica montagem da obra é uma das bases do movimento tropicalista, na música representado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros.

Zé Celso com o cartaz de "O Rei da Vela" em 1976 - Foto: Arquivo Oficina

Zé Celso com o cartaz de ''O Rei da Vela'' em 1967 – Foto: Arquivo Oficina

“A exibição faz parte da mostra dos filmes prediletos do crítico Jairo Ferreira, já falecido”, explica Zé Celso ao Blog do Arcanjo do UOL. “Vi o filme ressuscitado para a Era Digital. Está extraordinariamente belo e atual”, opina.

O diretor planeja ainda uma ação performativa durante a sessão: “Vamos acender uma vela com o tempo de duração do filme que permanecerá embaixo da tela e irá se consumir até o fim da projeção”, adianta.

“Estou emocionadíssimo com este grande acontecimento, um momento histórico na nossa história”, finaliza, emocionado.

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Veja momentos marcantes da Satyrianas que celebrou Phedra D. Córdoba
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Cena da peça "Entrevista com Phedra" na Satyrianas 2016 - Foto: Bob Sousa

Homenagens à diva: cena da peça ''Entrevista com Phedra'' na Satyrianas 2016
– Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado 

A 17ª edição do festival Satyrianas, realizada entre 12 e 15 de novembro de 2016, entrou para a história como aquela que homenageou a diva cubana do teatro brasileiro, Phedra D. Córdoba, que morreu em abril, aos 77 anos. E emoção tomou conta do evento na praça Roosevelt. A turma do programa “Formigas da Arte”, dirigido por Vivi Marques, registrou a festa para a posteridade. O roteiro é assinado por Ana Cançado, Eduardo Chagas, Ricardo Hamzo e Vivi Marques, com apresentação de Natalia Najjar. Veja o vídeo:

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Miguel Falabella é Deus cheio de graça em “God”, sucesso da Broadway
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Miguel Falabella, aos 60 anos, em cena de "God" - Foto: Paprica/Divulgação

Miguel Falabella, aos 60 anos, em cena de ''God'', comédia da Broadway – Foto: Páprica/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Os antigos cabelos loiros agora são brancos. Mas, a graça continua a mesma. Miguel Falabella completou 60 anos de vida no último dia 10 de outubro e chega à maturidade com uma carreira vitoriosa tanto na televisão quanto no teatro, onde resolveu agora interpretar o próprio Deus, na peça “God”, sucesso da Broadway que trouxe para o Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo.

“É um texto muito engraçado. Vi em Nova York e me apaixonei”, conta o ator ao Blog do Arcanjo do UOL, informando que também é diretor e versionista do sucesso escrito pelo estadunidense David Javerbaum e interpretado nos EUA por Jim Parsons.

Quando faz comédia, Falabella se sente completamente à vontade. Afinal, o protagonista da célebre “Loiro, Alto, Solteiro, Procura” ajudou a inventar o teatro besteirol dos anos 1980, ao lado de nomes como Guilherme Karam e Mauro Rasi. E ainda marcou a noite brasileira de domingo nos anos 1990 com o falido e esnobe Caco Antibes, da série “Sai de Baixo”, um espetáculo teatral gravado para a TV no mesmo palco onde encena “God”, que tem codireção de Fernanda Chamma.

Falabella entre os dois anjos: Deus resolve problemas humanos - Foto: Paprica/Divulgação

Falabella entre os dois anjos: Deus resolve problemas humanos – Foto: Páprica/Divulgação

Mesmo tendo formação intelectual densa — ele é formado em letras pela UFRJ e fez intercâmbio em Paris, onde estudou com grandes nomes —, Falabella não tem preconceito de fazer o povo rir.

“Na peça, vivo Deus, que está falando com a plateia, usando o corpo de um ator. É muito divertido”, define sua nova montagem, produzida por Sandro Chaim, seu parceiro nas últimas produções teatrais. Na peça, contracena com dois “anjos-assistentes”, interpretados por Elder Gattely e Magno Bandarz.

A peça marca um “respiro” de Falabella no mundo dos musicais, aos qual se dedicou nos últimos tempos. O mais recente foi “Antes Tarde do Que Nunca”, no qual atuou e dirigiu. Também esteve no comando dos sucessos “A Madrinha Embriagada” e “O Homem de la Mancha”, que abocanhou o Prêmio APCA de melhor espetáculo e melhor ator (Cleto Baccic) em 2014.

Como sempre, Falabella não consegue fazer uma coisa só. Está no teatro no mesmo tempo em que na Globo é gravado a mais nova série que escreveu, após o sucesso ''Pé na Cova''. Trata-se de “Brasil a Bordo”, com a história de uma companhia aérea tão falida quanto ao nosso país, prevista para 2017.

“Terá até um arrastão dentro do voo”, promete, além de adiantar que a aeronave terá ainda uma lhama que cospe nos passageiros. “A lhama não tem ideologia, ela cospe tanto na patroa quanto na empregada. Meu trabalho se mistura com o prazer”, admite, com um sorriso no rosto.

''God''
Quando: Sexta, 21h, sábado, 18h e 21h, domingo, 18h. Até 19/2/2017
Onde: Teatro Procópio Ferreira – Rua Augusta, 2823, Jardins, São Paulo, tel. 11 3083-4475
Quanto: R$ 90 a R$ 150
Classificação etária: 14 anos

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Crítica: Trança Teatro de Sorocaba clama por fim de morte de jovens negros
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miguelarcanjo

Marco Antonio Fera e Clarice Santos, do Grupo Trança Teatro, de Sorocaba - Foto: Rennan Castro

Marco Antonio Fera e Clarice Santos, do Grupo Trança de Teatro, de Sorocaba – Foto: Rennan Castro

Por Miguel Arcanjo Prado

“Parem de nos matar”, bradam os intensos atores Marco Antonio Fera e Clarice Santos, do Grupo Trança de Teatro, de Sorocaba, interior de São Paulo, no espetáculo teatral “Corpo Notícia: Relatos sobre o Amor a e Violência”. Entre outros temas referentes à população negra, a obra aborda o assassinato de jovens negros por agentes do Estado.

A montagem foi apresentada em São Paulo neste sábado (26), no emblemático Aparelha Luzia, charmoso centro cultural dedicado à negritude que vem causando burburinho no bairro de Campos Elísios. Ao fim da obra, boa parte do público estava emocionada.

Os atores do Trança buscam diálogo forte não só com seu público como também na construção da peça. Para isso, convocaram colaboração de artistas negros de outros grupos da capital, como Raphael Garcia, do Coletivo Negro, que assina a direção do espetáculo, e Sidney Santiago, do grupo Os Crespos, que ajudou na preparação do elenco.

A vontade de diálogo dos dois jovens artistas de Sorocaba é intensa e representa a força de grupos do interior paulista que desejam colocar no palco as questões étnico-raciais. A partir da dramaturgia fragmentada de Diana Moura, Fera e Clarice redescobrem afetividades coletivas da população negra, bem como mergulham em seus ritmos, suas histórias e sua religiosidade, além de seus dramas e tragédias, íntimas e coletivas.

Assim, a peça apresenta um panorama emotivo do jovem negro no Brasil contemporâneo, que já avançou passos em relação a seus antepassados, mas que ainda encontra um caminho turvo pela frente, sobretudo por conta do preconceito racial que teima em existir no Brasil de oportunidades desiguais.

A maior força da obra é seu discurso político, por mais que em alguns momentos esta se aproxime do psicodrama. É uma peça combativa, mas que a direção soube, de forma sensível, casar com a sutileza emotiva na construção da cena, na qual a música executada ao vivo por Kinder Adriano e Oziel Antunes desempenha papel fundamental, indo do samba-enredo à modinha de viola interiorana.

A montagem ainda tem figurinos de Isa Santos e coreografia de Renata Rocha, na qual o samba marca presença. Soraya Machado trabalhou o corpo dos atores, enquanto a voz foi cuidada por Zack Rodrigues. A peça contou também com pesquisa de Marco Pereira.

“Corpo Notícia: Relatos sobre o Amor a e Violência” é um espetáculo necessário em um país que teima em negar o racismo arraigado na sociedade. Falar sobre ele e suas cruéis consequências é o melhor começo para extirpá-lo de nós.

“Corpo Notícia: Relatos sobre o Amor a e Violência” * * *
Avaliação: Bom

Saiba mais sobre o Grupo Trança de Teatro

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