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Crítica: Trupe Sinhá Zózima cria poesia na dureza do ônibus em SP
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A atriz Cleide Amorim, da Trupe Sinhá Zózima, em cena no ônibus - Foto: Bob Sousa

A atriz Cleide Amorim, da Trupe Sinhá Zózima, em cena no ônibus – Foto: Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos Bob Sousa

O Terminal Parque Dom Pedro II, no coração do centro de São Paulo, vê arrefecer o pico de passageiros na volta para a casa. É quase 20h de uma terça-feira. É quando chegam, com sua música envolvente, os atores da Trupe Sinhá Zózima, que lá fazem residência artística desde 2009, para mais uma sessão da nova peça do grupo especializado em teatro dentro do ônibus: “Os Minutos que Se Vão com o Tempo”.

Logo, alguns passageiros resolvem deixar-se contagiar por aquele som. Uma senhora idosa se aproxima, curiosa, e dança, enquanto outros preferem olhar desconfiados. Os mais apressados ignoram. Mesmo assim, os personagens surgem, cada qual com seus dilemas, e perguntam aos passageiros onde eles gostariam de estar naquele momento. Muitos suspiram ao responder lugares bem longe dali.

E todos rumam para a fila do ônibus que levará os artistas e os passageiros até o Terminal em São Miguel Paulista, no extremo leste da cidade, naquela noite. Em ônibus de linha, comum. O ingresso é a passagem. Lá dentro, enquanto a viagem cruza a aguerrida zona leste paulistana por uma hora e quarenta minutos, a poesia se faz com a doçura da Sinhá Zózima.

Anderson Maurício em "Os Minutos que se Vão com o Tempo" - Foto: Bob Sousa

Anderson Maurício em “Os Minutos que se Vão com o Tempo'' – Foto: Bob Sousa

No embalo lento do ônibus — o motorista, atento com os artistas, vai um pouco mais devagar —, o público reflete sobre sua vida, sobre o que sente falta, sobre a dureza da metrópole que precisa enfrentar diariamente naquele transporte público, no qual tanto tempo de suas vidas é perdido. E é recuperar esses minutos o objetivo desta obra, torná-los criativos, emotivos, artísticos.

A luz fria e branca do ônibus mantém os passageiros despertos. Descansar a vista na volta para a casa parece ser proibido pelo sistema opressor da cidade grande. Por que não uma luz amarela, mais branda, senhor prefeito e donos de empresas de ônibus? É como se os passageiros fossem galinhas de granja, presos em um eterno dia artificial, obrigados ao estresse da produtividade mesmo após um cansativo dia de trabalho.

Junior Docini em cena de "Os Minutos que se Vão com o Tempo" - Foto: Bob Sousa

Junior Docini em cena de “Os Minutos que se Vão com o Tempo'' – Foto: Bob Sousa

Mas, a poesia da Sinhá Zózima resiste e faz com que a gente se esqueça da frieza daquela luz. E olhe nos olhos dos artistas. Que nos dão cartas escritas a mão. E aí todos sonhamos outra vez.

O texto de Cláudia Barral, feito de forma colaborativa com a trupe sob direção de Anderson Mauricio, traz imagens afetivas de volta à memória dos espectadores. A moça que sonha em se casar, aquela casa da meninice com seu quintal cheio de árvores, a querida mãe que morreu e deixou muita saudade. Tudo ganha novo contorno com a presença do espetáculo naquele ambiente. Os passageiros riem e choram. Vivem.

Os que embarcam, logo são incorporados à cena. Os que descem, inclusive uma personagem, se despedem daquele momento ímpar de fantasia coletiva.

A atriz Maria Alencar desce e se despede da peça - Foto: Bob Sousa

A atriz Maria Alencar desce e se despede da peça – Foto: Bob Sousa

Ao lado dos artistas Anderson Mauricio, Cleide Amorim, Junior Docini (e seu violão), Maria de Alencar, Priscila Reis, Tatiana Nunes Muniz e Tatiane Lustoza, a viagem tão dura fica mais simples de ser enfrentada. Há um encontro bom. Uma comunhão que só a arte feita com o coração é capaz de alcançar.

Quem bom que existe a Trupe Sinhá Zózima para deixar São Paulo um pouco mais leve. Nem que seja apenas pelo tempo que dura uma longa viagem de ônibus.

“Os Minutos que se Vão com o Tempo” * * * * *
Avaliação: Ótimo
Quando: 30/8/2016, 20h, última apresentação
Onde: Terminal Parque Dom Pedro II, São Paulo, na linha 4313, sentido Terminal Cidade Tiradentes
Quanto: R$ 3,80 (preço da passagem do ônibus)
Classificação etária: Livre

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Deto e Oswaldo Montenegro celebram 25 anos do musical “Noturno” em SP
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À esq., Deto e Oswaldo Montenegro conduzem ensaio de "Noturno" em 1991 - Foto: Divulgação

À esq., Deto e Oswaldo Montenegro conduzem ensaio de “Noturno'' em 1991 / Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A noite de São Paulo pelo olhar poético do cantor e compositor Oswaldo Montenegro movimenta “Noturno”, musical precursor que estreou em 1991 e celebra 25 anos em cartaz, sob direção do irmão do músico, Deto Montenegro.

A obra tem atores da Oficina dos Menestréis, tradicional escola cênica paulistana criada por Deto Montenegro em parceria com o ator Marco André Brandão de Magalhães, o Candé, e que formou gerações de artistas.

A comemoração será no mesmo tablado onde “Noturno” fez sua primeira apresentação: no Teatro Augusta, onde fará sessões às segundas-feiras, às 21h, entre 5 de setembro e 28 de novembro. Em cerca de 400 sessões, o musical já foi visto por mais de 110 mil pessoas e já teve versão com atores cadeirantes em 2003.

Um espetáculo tão longevo faz parte da história do teatro brasileiro e coleciona histórias curiosas. “Já tive a alegria de ver os filhos do primeiro elenco atuando na peça. Isso não tem preço”, revela Oswaldo Montenegro ao Blog do Arcanjo do UOL.

Com numeroso elenco de 50 artistas, o musical tem banda ao vivo e atores-cantores-bailarinos que transitam como personagens da noite paulistana: “O horário do amor e dos mistérios”, como define Deto Montenegro.

25 anos atrás, Oswaldo Montenegro ensaia primeira versão de "Noturno" - Foto: Divulgação

25 anos atrás, Oswaldo Montenegro ensaia primeira versão de “Noturno'' / Foto: Divulgação

Oswaldo diz que o que mais gosta em sua obra é a música que não conseguiu fazer. Ele explica: “Estava convencido de que teria de colocar uma cena em que um artesão faria uma flor de guardanapo de papel, enquanto amigos em volta cantariam uma música suave. Não consegui compor essa música”.

Diante do pânico “de papel em branco”, ele foi socorrido por um amigo. “O Ulysses Machado me mostrou a canção ‘Na Escuridão’. Era perfeita para o que estava procurando. Aí criei essa cena que, disparada, é minha preferida. Gratidão ao meu parceiro Ulysses”.

Para o compositor, “Noturno” dá tão certo há tanto tempo porque consegue se comunicar com diversas gerações. “É muito difícil explicar porque um espetáculo dura um tempo. Mas me arrisco dizer que há uma certa identificação do público com os temas tratados”.

Noite em cena

O autor lembra que a obra apresenta diversas facetas da noite, às vezes vista como “um momento ameaçador”, mas também lugar de “possibilidade de reunião, como um bálsamo contra a solidão que o dia traz”. “É o horário menos competitivo, em que a ambição humana perde força e o colo se torna possível”, declara.

É na noite, na visão de Oswaldo Montenegro, que mora “a possibilidade da fantasia, da fuga do real, da soltura da imaginação”. Por isso, sua obra tem elenco grande, “sem protagonistas nem coadjuvantes”, propondo “ao inconsciente da plateia um momento paradoxalmente anárquico e organizado, em que todos brilham juntos”.

“Noturno”
Quando: Segunda, 21h. 60 min. De 5/9/2016 até 28/11/2016
Onde: Teatro Augusta – Rua Augusta, 943, metrô Consolação, São Paulo, tel. 11 3151-4141
Quanto: R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia-entrada) e R$ 30 (promocional, apresentando carteirinha da Oficina dos Menestreis que pode ser impress ano site www.oficinadosmenestreis.com.br)
Classificação etária: 10 anos

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Crítica: “Camaleão Borboleta” mostra uma Graveola mutante, pop e solar
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Graveola toca "Camaleão Borboleta" no Auditório Ibirapuera, em SP - Foto: Fábio Nascimento

Graveola toca “Camaleão Borboleta'' no Auditório Ibirapuera, em SP – Foto: Fábio Nascimento

Por Miguel Arcanjo Prado

Borboletas e camaleões se transformam sem perder a característica multicor. Assim também parece acontecer à banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico, que chega ao sexto disco, o solar “Camaleão Borboleta”. O álbum é mais pop que o costumeiro, mas ainda com o transitar por diversos sons possíveis, característica expressa no próprio nome da banda. Cada música traz uma porção de possibilidades de sonoridades.

O álbum foi apresentado ao público paulistano neste domingo (28) em show no Auditório Ibirapuera no qual o sexteto executou, de forma envolvente, as novas canções e também recebeu três convidados no palco: a também mineira e ex-Graveola Juliana Perdigão, agora em carreira solo, o paulistano Léo Cavalcanti e o paraense Felipe Cordeiro.

Henrique Staino e Luiz Gabriel Lopes: sintonia - Foto: Fábio Nascimento

Henrique Staino e Luiz Gabriel Lopes: sintonia – Foto: Fábio Nascimento

O show foi azeitado recentemente na Europa, onde a banda passou por nove cidades de seis diferentes países, com apresentação que impactou o festival Roskilde, na Dinamarca, um dos principais do velho continente.

O novo disco traz forte influência tropicalista e de ritmos afro-brasileiros, representados pela percussão enérgica da compenetrada Luiza Brina, em diálogo intenso com a bateria do sorridente Gabriel Bruce, que responde na medida ao baixo sincopado do sempre leve Bruno Oliveira. A banda ainda tem nos vocais o flutuante Luiz Gabriel Lopes, com sua doçura, e José Luis Braga, de potente voz grave; ambos dividem a guitarra. E completa tudo Henrique Staino no sax e no teclado, um verdadeiro showman no palco.

Com os músicos em plena sintonia, as canções foram conquistando aos poucos a plateia paulistana, que começou o show fria, mas logo foi se soltando e embarcando na fusão rítmica proposta pela Graveola.

A percussionista e vocalista Luiza Brina - Foto: Fábio Nascimento

A percussionista e vocalista Luiza Brina – Foto: Fábio Nascimento

De cara, o hit de verão “Talismã” sacolejou a todos com sua intensidade afro-baiana-mineira. “Costi”, música que Luiza Brina compôs para sua “família do sertão espanhol” serviu de brecha para José Luis Braga bradar “Fora, Temer” com sua voz grave (e ser respondido também), antes da doçura da voz preguiçosa de Luiza invadir e apaziguar tudo.

Leia mais: Mulher grita Fora Dilma após cantor dizer Fora Temer

“Camaleão Borboleta” foi produzido pelo experiente Chico Neves, que teve seu estúdio por anos no Jardim Botânico carioca e hoje está radicado na sua Minas Natal em Nova Lima. O produtor de discos como “Bloco do Eu Sozinho” do Los Hermanos e “Lado B Lado A” d'O Rappa reforçou o caráter pop de muitas das canções da banda, além de trazer Samuel Rosa para fazer dueto com Luiz Gabriel Lopes em “Talismã”, composta por Lopes com Gustavito e Chicó do Céu e feita sob medida para ser o hit do álbum.

E o disco, feito em parceria com o Natura Musical, vai conversando com os ritmos. O reggae invade e deixa o mundo mais leve em “Tempero Segredo”, música abertamente defensora da legalização do plantio e do consumo de maconha. O refrão, que a plateia do Ibirapuera cantou com gosto, conclui: “Decidir plantar meu pé, acho que isso é maturidade”.

Bruno de Oliveira e seu baixo - Foto: Fábio Nascimento

Bruno de Oliveira e seu baixo – Foto: Fábio Nascimento

Já “Índio Maracanã”, com suas vozes dissonantes em coro, ecoa os primeiros habitantes de nosso Brasil, ainda hoje tão maltratados e ignorados pelos governantes, como lembrou no palco Luiz Gabriel Lopes. Porque a Graveola não é só mistura de barulhinhos bons, mas também é postura política inclusiva, democrática e progressista.

Nesta profusão tão brasileira, onde cabe o jazz, o rock, o axé, o bolero e o que mais vier, a Graveola deixa sua música marcada por um ecletismo transformador mutante, pop e solar, de quem não faz questão de definir identidades. Até porque a vida (e a banda) evolui tal qual um camaleão ou uma borboleta.

Disco: “Camaleão Borboleta” * * * *
Avaliação: Muito Bom
Artista:
Graveola e o Lixo Polifônico
Informações: graveola.com.br

O baterista Gabriel Bruce - Foto: Fábio Nascimento

O baterista Gabriel Bruce – Foto: Fábio Nascimento

O guitarrista e vocalista José Luis Braga - Foto: Fábio Nascimento

O guitarrista e vocalista José Luis Braga – Foto: Fábio Nascimento

Felipe Cordeiro também participou do show da Graveola - Foto: Fábio Nascimento

Felipe Cordeiro também participou do show da Graveola – Foto: Fábio Nascimento

Juliana Perdigão fez participação especial no show - Foto: Fábio Nascimento

Juliana Perdigão fez participação especial no show – Foto: Fábio Nascimento

Léo Cavalcanti também cantou a convite dos mineiros - Foto: Fábio Nascimento

Léo Cavalcanti também cantou a convite dos mineiros – Foto: Fábio Nascimento

Graveola e convidados agradecem os aplausos - Foto: Fábio Nascimento

Graveola e convidados agradecem os aplausos – Foto: Fábio Nascimento

Cena dos bastidores do show da Graveola - Foto: Chema Llanos

Cena dos bastidores do show da Graveola – Foto: Chema Llanos

Graveola e convidados agradecem aplausos - Foto: Chema Llanos

Graveola e convidados agradecem aplausos – Foto: Chema Llanos

 

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Mulher grita “Fora, Dilma” na plateia após cantor dizer “Fora, Temer”
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Graveola no Ibirapuera: "Fora, Temer" no palco e "Fora, Dilma" na plateia - Foto: Fábio Nascimento

Graveola no Ibirapuera: “Fora, Temer'' no palco e “Fora, Dilma'' na plateia – Foto: Fábio Nascimento

Por Miguel Arcanjo Prado

O tenso clima político que vive o Brasil nestes dias, com o julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado, ficou evidente no show da banda Graveola e o Lixo Polifônico, na noite deste domingo (28), no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O grupo mineiro lançou seu sexto disco, “Cameleão Borboleta”, produzido por Chico Neves.

Um dos vocalistas da Graveola, o cantor José Luis Braga disse no palco “Fora, Temer”, antes de a percussionista e vocalista Luiza Brina cantar a música “Costi”, que ela compôs e que começa com o verso: “Hombre, venha ver nosso samba en las calles mostra nossa luta”.

Ao ouvir o protesto político do artista, uma mulher na plateia resolveu responder e gritou: “Fora, Dilma”.

Neste momento, o clima ficou tenso e a maioria do público começou a gritar “Fora, Temer”, mas, logo, os gritos foram abafados pela canção que já começava.

Crítica: Camaleão Borboleta mostra uma Graveola mutante, pop e solar

A banda Graveola tem 12 anos de estrada. Atualmente, é composta pelos músicos Bruno de Oliveira, no baixo, Gabriel Bruce, na bateria, Henrique Staino, no sax e teclado, José Luis Braga, na voz, guitarra e cavavo, Luiza Brina, na voz, percussão e escaleta, e Luiz Gabriel Lopes, na voz e guitarra.

O novo disco do sexteto que acaba de voltar de uma turnê na Europa traz a dançante “Talismã”, composição de Luiz Gabriel Lopes, Gustavito e Chicó do Céu, que tem participação de Samuel Rosa, do Skank, e é bastante tocada nas rádios de Minas.

Luiz Gabriel Lopes durante show da Graveola em SP - Foto: Fábio Nascimento

Luiz Gabriel Lopes durante show da Graveola em SP – Foto: Fábio Nascimento

 

Saiba como foi o show da Graveola em São Paulo

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Diários secretos de diplomata irlandês Roger Casement viram peça em SP
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Cia. Ludens encena polêmica vida de Roger Casement - Foto: Leekyung Kim

Cia. Ludens encena vida do diplomata Roger Casement (Bruno Perillo, à frente) – Foto: Leekyung Kim

Por Miguel Arcanjo Prado

O irlandês Roger Casement (1864-1916) foi um importante diplomatas na virada do século 19 para o 20. Após servir ao Império Britânico, se rebelou e lutou pela independência da Irlanda, mas foi preso, condenado por traição e morto.

Contudo, um detalhe de sua biografia sempre despertou curiosidade e polêmica: os diários atribuídos a ele nos quais contava aventuras homossexuais nos países nos quais serviu. O complexo personagem é tema da peça “As Duas Mortes de Roger Casement”, que estreia no Teatro Aliança Francesa, em São Paulo, na próxima sexta (2) com a Cia. Ludens.

Diretor e dramaturgo da peça, Domingos Nunez conta que os “diários negros”, como ficaram conhecidos os manuscritos secretos, são abordados “de forma indireta na primeira parte do espetáculo e de forma direta na segunda”.

Ele lembra que Casement foi personagem importante na história por “revelar como os interesses econômicos de grandes potências ignoravam os direitos de minorias e povos que habitavam o que passamos a chamar de Terceiro Mundo”.

E liga a saga do diplomata aos tempos atuais. “Com todos os avanços tecnológicos e mídias digitais, a ordem mundial não continua sendo manipulada e ditada pelos interesses econômicos dessas mesmas potências? O desmatamento, exploração de trabalhadores, a aculturação de povos, migrações, guerras e manifestações de toda ordem não são resultados de uma equação que, com muito mais frequência do que gostaríamos de ver, acaba em algum grau por violar os direitos de seres humanos e nações menos privilegiadas ou com menor poder de fogo?”, discursa.

"As Duas Mortes de Roger Casement" estreia no Aliança Francesa, em SP - Foto: Leekyung Kim

“As Duas Mortes de Roger Casement'' estreia no Aliança Francesa, em SP – Foto: Leekyung Kim

A ideia da peça é embalada desde 2008. Para desenvolver o texto, Nunez contou com apoio da produtora e diretora literária da Cia. Ludens, Beatriz Kopschitz Bastos, e também com uma bolsa de pó-doutorado na Unesp, onde foi orientado por Peter James Harris.

Cabe ao ator Bruno Perillo dar vida ao protagonista. “Roger Casement foi grande e ao mesmo tempo extremamente polêmico. Gerou uma infinidade de publicações a seu respeito”, lembra. O artista revela que buscou “rigor e precisão nas escolhas” para compor o “personagem real, histórico”.

Para tanto, assistiu único filme que mostra o diplomata, de apenas 15 segundos, e mergulhou em livros, biografias, documentários e, claro, nos próprios diários que teriam sido escritos por Casement nos tempos em que trabalhou como cônsul na África, no fim do século 19, e na Amazônia, no começo do século 20.

Perillo lembra a grande contribuição de Casement aos direitos humanos: “Ele conseguiu mostrar ao mundo as atrocidades que eram cometidas contra as tribos africanas e os índios da Amazônia, em prol da exploração da borracha”.

E elogia seu personagem: “Um homem que se entregou de corpo e alma às causas em que acreditava. Um homem repleto de contradições. Um rico ser humano e um prato cheio para um ator”.

No elenco ainda estão Amanda Acosta, Chico Cardoso, Eliseu Paranhos, George Passos, Kiko Pissolato, Paulo Bordhin e Taiguara Nazareth.

“As Duas Mortes de Roger Casement”
Quando: Quinta a sábado, 20h30, domingo, 19h. 120 min (com intervalo de 15 min). Até 9/10/2016
Onde: Teatro Aliança Francesa – Rua General Jardim, 182, Vila Buarque, metrô República, São Paulo, tel. 11 3572-2379
Quanto: R$ 50 (inteira)
Classificação etária: 14 anos

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Musical “Meninos e Meninas” tira tabus adolescentes do armário em SP
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"Meninos e Meninas" investe em temas adolescentes - Foto: Divulgação

Musical “Meninos e Meninas'' investe em temas adolescentes – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A peça de Maria Mariana “Confissões de Adolescente”, de 1992, inaugurou um novo espaço dentro do teatro brasileiro no qual jovens pudessem expor no palco seus próprios dilemas.

Desde então, os temas caros a esta inquieta e muitas vezes insegura parcela da população estão presentes no tablado, como agora em “Meninos e Meninas”, peça que fez sucesso no Rio e está em cartaz no Teatro Gazeta, em São Paulo. No elenco está a atriz Giovanna Grigio, que acabou de fazer a novela “Êta Mundo Bom!'', na Globo, e foi a Mili na recente versão de “Chiquititas'', no SBT.

A atriz Giovanna Grigio está no elenco - Foto: Divulgação

A atriz Giovanna Grigio está no elenco – Foto: Divulgação

A montagem que estrou em 2014 traz “as contradições do universo adolescente”, como anunciam os artistas. O grande objetivo é tirar os adolescentes dos celulares e computadores nos quais estão submersos. “A obra se propõe a tirar essa galera do mundo virtual e levá-la ao teatro”, define Afra Gomes, diretor do espetáculo ao lado de Leandro Goulart, com quem também fez a dramaturgia.

E a plateia abriga também os pais. “É impressionante como vimos os pais indo com os filhos, ou esses jovens levando os pais. Além de criar uma aproximação entre eles a peça proporciona também uma abertura. A gente mostra que o problema que aquele adolescente possa ter talvez não seja o bicho de sete cabeças como ele ou seus pais imaginavam. Talvez nem mesmo seja um problema! É uma experiência de reaproximação e transformação”, define o diretor.

Para agradar ao público alvo a trilha sonora investe em hits que marcaram inúmeras gerações, de nomes como Beatles, Tim Maia, RPM, Legião Urbana, Capital Inicial e a recente Katy Perry. Sem medo de tabus, a peça aborda temas como sexo, homossexualidade, bullying, anorexia e complexas relações familiares.

“Meninos e Meninas”
Quando: Sábado e domingo, 18h. 70 min. Até 24/9/2016
Onde: Teatro Gazeta – Av. Paulista, 900, metrô Brigadeiro, Bela Vista, São Paulo, tel. 11 3253-4102
Quanto: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia entrada)
Classificação etária: 14 anos

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Crítica: Com duas estrelas potentes, “Wicked” questiona discursos prontos
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Myra Ruiz e Fabi Bang em "Wicked": duas estrelas potentes - Foto: Marcos Mesquita

Myra Ruiz e Fabi Bang em “Wicked'': duas estrelas potentes – Foto: Marcos Mesquita

Por Miguel Arcanjo Prado

Quem são os bons e os maus da história? É bem provável que aqueles que se vendem como salvadores da pátria sejam os verdadeiros leões que querem nos devorar. Subverter a lógica de um discurso já pronto e virá-lo pelo avesso é o grande mérito do musical “Wicked”, em cartaz em São Paulo e que prova que entretenimento pode combinar com inteligência.

Escrito em 1995 por Gregory Maguire e produzido para a Broadway em 2003, depois foi encenado em mais de cem cidades de 13 países e visto por 50 milhões de pessoas. O enredo volta à Terra de Oz, do clássico infantil “O Mágico de Oz”, para explicar a origem daqueles personagens que encantaram e assombraram a garotinha Dorothy, imortalizada no cinema por Judy Garland em 1939.

As protagonistas são duas jovens bruxas aprendizes: Elphaba, papel de Myra Ruiz, e Glinda, personagem de Fabi Bang. Enquanto a primeira sofre com o preconceito dos outros por ter nascido com a pele verde esmeralda e, portanto, ser diferente, a segunda é a queridinha de todos, loirinha, mimada e “perfeitinha”.

Ao colocarem ambas para dividir o mesmo quarto na universidade, o musical aponta um olhar inclusivo: incentiva que os diferentes devem conviver e se aproximar. E mostra que a amizade e o respeito mútuo são infinitamente mais valorosos do que o ódio e o rancor competitivo.

Jonatas Faro, ao lado da estátua, vive Fiyero - Foto: Marcos Mesquita

Jonatas Faro, ao lado da estátua, vive Fiyero – Foto: Marcos Mesquita

Mas logo, para dar caldo à história, ambas enveredam pelo caminho da rivalidade, despontada por um amor em comum, o príncipe Fiyero, papel de um correto Jonas Faro.

Como é de praxe neste tipo de superprodução, tudo é feito para impressionar a plateia, o que vão desde os efeitos de luz hipnotizantes, o cenário impactante (com direito a um dragão gigante no teto), os bem coreografados números dançantes e o palco constantemente povoado por 34 atores-cantores-bailarinos ao som da música executada por 14 instrumentistas sob batuta da maestrina Vânia Pajares.

Mas a competente direção da norte-americana Lisa Leguillou e da brasileira Rachel Ripani consegue, mesmo diante de toda pirotecnia, focar na forte relação cênica que as duas protagonistas conseguem instaurar.

Fabi Bang e Myra Ruiz: embate de duas atrizes em grande momento - Foto: Marcos Mesquita

Fabi Bang e Myra Ruiz: embate de duas atrizes em grande momento – Foto: Marcos Mesquita

Apesar de envoltas por um elenco afinadíssimo, as duas protagonizas captam a todo instante a atenção do público para ambas, cada uma com construção impecável de sua personagem. Myra Ruiz alia técnica à verdade cênica com sua Elphaba, espécie de adolescente desajeitada que tenta encaixar-se no mundo até descobrir que isso não é algo tão bom assim e que ter personalidade própria pode ser libertador.

Fabi Bang demonstra forte maturidade como atriz ao conseguir brincar o tempo todo com sua Glinda, fazendo a plateia divertir-se. Ela faz a garota fútil, mas não menos inteligente por isso. Como uma pitada de teatro épico-dialético proposto por Brecht, há na atuação de Fabi uma opinião da atriz sobre sua personagem, colocada de forma sutil, mas marcante. É isso que faz o público refletir, pensar. E, claro, ambas cantam lindamente, atingindo notas praticamente inalcançáveis pelos pobres mortais.

"Wicked" leva público a pensar e refletir sobre "verdades" - Foto: Marcos Mesquita

“Wicked'' leva público a pensar e refletir sobre “verdades'' – Foto: Marcos Mesquita

Talvez a grande mensagem de “Wicked” esteja condensada no personagem Doutor Dillamond, professor de Elphaba e Glinda defendido de forma pungente por  César Mello: ele, um bode, é violentamente tirado de seu posto profissional por, simplesmente, ser diferente dos demais, por ensinar os alunos a pensar, a questionar.

Como o professor fala algo que o sistema estabelecido não quer ouvir, logo é preso e silenciado. Para que, assim, prevaleça o discurso dos vitoriosos, que insistem em proclamar que são o lado bom da história. Por mais que isso seja uma grande farsa.

O horror que passa a Dillamond está longe de ser uma ficção distante e dialoga de forma veemente com o Brasil atual, com seu projeto de “Escola sem Partido” que pretende instaurar um modelo de cerceamento da liberdade de pensamento no ambiente escolar.

Assim como em “Cabaret”, com sua feroz crítica ao nazi-fascismo, o musical “Wicked” tem o grande mérito de questionar o mundo e os discursos estabelecidos como verdades, utilizando o próprio entretenimento como proposta para um novo pensamento: questionador e inclusivo. Porque quem não pensa segue como vaca rumo ao matadouro, repetindo discursos prontos e perversos feitos por outros.

“Wicked” * * * * 
Avaliação: Muito Bom
Quando: Quinta e sexta, 21h. Sábado, 16h e 21h, domingo, 15h e 20h. 175 min. Até 18/12/2016
Onde: Teatro Renault – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411, Bela Vista, São Paulo, tel.  11 4003-5588
Quanto: R$ 50 a R$ 280
Classificação etária: 12 anos

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Marcelo Medici volta aos musicais em “Rocky Horror Show” com Bruna Guerin
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Marcelo Medici e Bruna Guerin estão em "Rocky Horror Show" - Foto: Edson Lopes Jr.

Marcelo Medici e Bruna Guerin estão em “Rocky Horror Show'' – Foto: Edson Lopes Jr.

Por Miguel Arcanjo Prado

O ator Marcelo Medici está de volta ao mundo dos musicais, depois de ficar anos afastado do gênero no qual esteve em “Sweety Charity”, em 2006, com Claudia Raia, e “Um Certo Faroeste Cabocolo”, em 1998, com o Cia. Pessoal do Faroeste.

Nos últimos tempos, o ator se dedicou à TV e à comédia nos palcos, com os sucessos “Cada Um com Seus Pobrema” e “Cada Dois com Seus Pobrema”.

A data de retorno do ator aos musicais já está marcada: 11 de novembro, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, onde Medici estará no elenco de “The Rocky Horror Picture Show”, dirigido por Claudio Botelho e Charles Möeller. Caberá a ele o papel Dr. Frank-N-Furter.

Medici vai contracenar com Bruna Guerin, atriz que chama atenção na cena dos musicais, na qual protagonizou o grande sucesso “Urinal, o Musical”, pelo qual ganhou o Prêmio Bibi Ferreira de melhor atriz em 2015, e que também esteve em produções como “O Mágico de Oz”, “Hair” e “Garota Glamour”. Ela será Janet Weiss, o principal papel feminino de “Rocky Horror''.

A história de humor bem humorada já virou filme em 1975, com Susan Sarandon no elenco ao lado de Tim Curry. Depois do musical, Medici fará a nova novela de Thelma Guedes e Duca Rachid, no horário das 21h, na Globo, para a qual o paulistano já foi reservado pela emissora carioca.

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Bola inspira sonhos no musical infantil “A Bola: Histórias que Rolam” em SP
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Artes Simples de Teatro celebra dez anos de trajetória - Foto: Weslei Barba

Artes Simples de Teatro celebra dez anos com “A Bola: Histórias que Rolam'' – Foto: Weslei Barba

Por Miguel Arcanjo Prado

O grupo Arte Simples de Teatro celebra os dez anos da trupe composta apenas por mulheres e que atua há sete anos na comunidade de Heliópolis, em São Paulo. A comemoração é em forma de musical infantil, com a apresentação de “A Bola: Histórias que Rolam”, em cartaz aos domingos, às 15h, no Sesc Vila Mariana.

Pedro Pires, da Cia. do Feijão, foi convidado para dirigir a peça, inspirada no livro “O Chute que a Bola Levou”, escrito por Ricardo Azevedo. Em cena, sonhos e memórias da infância que giram em torno da bola, um dos objetos mais amados por crianças de todo o mundo, especialmente as brasileiras, e que pode ser um passaporte para um futuro melhor.

No elenco, estão Andréa Serrano, Eugenia Cecchini, Isadora Petrin, Marcela Arce, Marília Miyazawa, Tatiana Eivazian e Tatiana Rehder. Elas chamaram Kleber Montanheiro para criar o cenário e os figurinos, enquanto que Adilson Rodrigues assina a direção musical, já que a trilha é feita ao vivo pelos músicos Fernando Stelzer e Lucas Paiva.

Quem narra a história é a própria bola, que apresenta suas peripécias desde a prateleira da loja até fazer parte da vida de muitas pessoas simples. Nas comunidades, torna-se artigo representante de sonhos e esperanças.

“A música original dá um tom lúdico ao espetáculo ao lado de outros elementos teatrais, como a manipulação e a ressignificação de objetos, resultando na pluralidade de contato com espectador”, fala o diretor.

“A Bola: Histórias que Rolam”
Quando: Domingo, 15h. Até 18/9/2016
Onde: Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, metrô Ana Rosa, São Paulo, tel. 11 5080-3000
Quanto: R$ 17 (inteira) e R$ 8,50 (meia-entrada); quem tem credencial do Sesc paga R$ 5
Classificação etária: Livre

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Crítica: Eva e Nicette cativam público em O Que Terá Acontecido a Baby Jane
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miguelarcanjo

Eva Wilma e Nicette Bruno em "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?" - Foto: Edson Lopes Jr.

Eva Wilma e Nicette Bruno em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?'' – Foto: Edson Lopes Jr.

Por Miguel Arcanjo Prado

Com 82 e 83 anos, respectivamente, Eva Wilma e Nicette Bruno já têm currículos que as colocam no lugar de não precisar provar a ninguém que são atrizes consagradas. Mesmo assim, escolhem estar na labuta diária do palco, na profissão que tanto amam. É cativante vê-las juntas em sintonia fina na primeira montagem mundial para o teatro de “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, em cartaz no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, sob direção de Claudio Botelho e Charles Möeller, tarimbada dupla dos musicais que se aventura pela primeira vez no fértil terreno do drama.

O espetáculo conta a famosa história das duas irmãs atrizes, já velhas e sem fama, trancafiadas em um casarão de Hollywood, onde Baby Jane (Eva Wilma) passa seus dias torturando psicologicamente a irmã paralítica, Blanche Hudson (Nicette Bruno).

Baby Jane foi uma estrela na infância, enquanto a irmã ficava nos bastidores junto com o pai empresário (uma espécie de precursor do pai de Michael Jackson). Na juventude, a situação foi invertida, com Blanche transformando-se em uma diva do cinema, enquanto a Baby Jane só restavam pequenas pontas. Após o mal explicado acidente que deixou Blanche na cadeira de rodas no auge da carreira, só resta às duas o convívio mútuo.

Duda Matte, Licurgo Spinola e Sophia Valverde - Foto: Edson Lopes Jr.

Duda Matte, Licurgo Spinola e Sophia Valverde – Foto: Edson Lopes Jr.

O grande mérito desta montagem, assim como dar vida novamente ao texto que tornou-se um clássico no cinema em 1962 no filme homônimo estrelado pelas grandes divas rivais Bette Davis e Joan Crawford, é possibilitar que duas atrizes tão queridas e respeitadas pelo público, como Eva e Nicette, contracenem.

E elas demonstram vigor de duas garotas na encenação de ritmo ágil proposta pelos diretores. O espetáculo acerta ao colocar em cena, muitas vezes ao mesmo tempo, as três gerações de Baby Jane e Blanche, construindo uma requintada trama psicológica que vai se revelando aos poucos e dialoga no tempo.

Impressionantemente talentosa, a menina Sophia Valverde é a própria encarnação da Baby Jane criança, arrancando aplausos em cena aberta quando expõe o maquiavelismo da personagem no trato com a irmã Blanche, papel da doce Duda Matte.

Eva Wilma como Baby Jane - Foto: Edson Lopes Jr.

Eva Wilma como Baby Jane – Foto: Edson Lopes Jr.

Na juventude, os papéis passam a ser defendidos por Juliana Rolim e Rachel Rennhack, repetindo a construção já desenhada pelas crianças. O elenco ainda tem Licurgo Spinola, que demonstra versatilidade ao se dividir nos três papéis masculinos da vida das irmãs Hudson: o pai, o cineasta e o pianista com quem Baby Jane idosa pretende retomar sua carreira em Las Vegas. Ainda há Nedira Campos, no papel da vizinha enxerida, e a sempre carismática e segura Teca Pereira, como a criada que ousa enfrentar a loucura de Baby Jane.

A equipe técnica também merece ser citada por, junta, criar o clima que a obra pede. E isso acontece no soturno cenário criado por Rogério Falcão, nos figurinos de época assinados por Carol Lobato, na iluminação de Paulo César Medeiros, que dialoga o tempo todo com os sentimentos em cena, no visagismo de Beto Carramanhos e no design de som de Ademir Moras Jr.

“O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” é um espetáculo imperdível, afinado e cativante da primeira à última (e impactante) cena. Com Eva e Nicette à frente de um aguerrido elenco, a peça é a prova de que o talento só melhora com o tempo.

“O Que Terá Acontecido a Baby Jane?'' * * * * *
Avaliação: Ótimo

Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h. 90 min. Até 30/10/2016
Onde: Teatro Porto Seguro – Al. Barão de Piracicaba, 740, Campos Elíseos, metrô Santa Cecília, São Paulo, tel. 11 3226-7300
Quanto: R$ 25 (meia-entrada, balcão) a R$ 120
Classificação etária: 14 anos

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Nicette Bruno como Blanche Hudson - Foto: Edson Lopes Jr.

Nicette Bruno como Blanche Hudson – Foto: Edson Lopes Jr.

Foto: Edson Lopes Jr.

Rachel Rennhack e Juliana Rolim como Blanche e Baby Jane jovens – Foto: Edson Lopes Jr.

Elenco de "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?" - Foto: Edson Lopes Jr.

Elenco de “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?'' – Foto: Edson Lopes Jr.