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Crítica: Visceral, Race mostra que racismo e machismo andam juntos

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“Race”: peça é do tipo obrigatória – Foto: Geraldo Junior

Por Miguel Arcanjo Prado

Em cartaz no Viga Espaço Cênico, em São Paulo, o espetáculo “Race” mostra de forma pungente como o racismo e o machismo andam juntos.

Nesta produção, a carioca Cia. Teatro Epigenia apresenta o segundo texto do dramaturgo estadunidense David Mamet, do qual já encenou “Oleanna” em 2014 e pretende encerrar a trilogia dedicada ao autor com “Hollywood”, ainda este ano.

Em “Race”, que em inglês significa tanto raça quanto corrida, a premissa do roteiro é um homem branco que, acusado de estuprar uma mulher negra, busca um escritório de advocacia para lhe defender. O escritório é uma sociedade de dois jovens ambiciosos advogados, um branco e um negro, que contam com uma jovem advogada assistente, mulher e negra.

À medida que as discussões sobre o caso pegam fogo no escritório, várias camadas de racismo, machismo e preconceito vão sendo desveladas. Sobretudo, a dupla opressão que sofre a mulher negra naquele contexto.

Crítico, o texto coloca não só o advogado branco como algoz desta, mas também o advogado negro, associado ao branco não só na busca de poder socioeconômico, mas também no jogo opressivo, como forma de se afirmar no poder.

Potente, “Race” traz um verdadeiro show de atuação de seus intérpretes, afinados pela direção segura de Gustavo Paso, que aposta na sintonia real conquistada pelo jogo cênico de seus atores.

Gustavo Falcão está visceral no papel do advogado branco, que remete a um jovem ambicioso da bolsa de valores, um típico predador. Heloisa Jorge também se destaca, fazendo o contraponto a este personagem na pele da assistente negra, com uma atuação que mistura força e sutileza. É uma rainha em cena.

Complementam o elenco Leandro Vieira, intenso como o advogado negro, e Clóvis Gonçalves, que aposta em uma construção humana do homem branco acusado de estuprar uma mulher negra.

“Race” é uma peça altamente crítica e complexa, fugindo da ideia de se criar dualismos ou heroísmos. Muito pelo contrário. Sem ser didático, o drama mostra que o racismo e o machismo são preconceitos que caminham de mãos dadas, explicitando de forma categórica o lugar de dupla opressão sofrida pela mulher negra.

A obra ainda demonstra que brancos e negros, homens e mulheres, podem, de maneira conjunta, fazer um trabalho que enfrente o racismo e o machismo.

“Race” é um dos espetáculos mais inteligentes e com elenco mais afinado dos últimos tempos. Do tipo obrigatório de se ver.

“Race” * * * * *
Avaliação: Ótimo
Quando: Abril: sábado, 21h, domingo, 19h, segunda, 21h. Até 24/4/2017 – Maio: Segunda a quarta, 21h, de 1º até 31/5/2017
Onde: Viga Espaço Cênico – Rua Capote Valente, 1.323, metrô Sumaré, São Paulo, tel. 11 3801-1843
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

Siga Miguel Arcanjo Prado no Facebook, no Twitter e no Instagram.

Sobre o autor

Miguel Arcanjo Prado é jornalista formado pela UFMG, pós-graduado na USP e mestrando em Artes na UNESP. É vice-presidente da APCA. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV UFMG, O Pasquim 21, TV Globo, Curso Abril de Jornalismo, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, R7, Record e Record News.

Sobre o blog

Da primeira fila aos bastidores dos grandes espetáculos e musicais, passando pelos festivais e encenações experimentais, o Blog do Arcanjo pretende falar com leveza e inteligência sobre tudo o que rola no mundo do teatro.

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