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Rapidinhas teatrais: Após viver Elza Soares, Naruna Costa comemora Antígona negra

miguelarcanjo

18/08/2017 10h27

Naruna Costa em “Antígona” – Foto: Gisela Schlogel/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Antígona
Naruna Costa, atriz que se destacou ao interpretar Elza Soares no musical “Garrincha”, de Bob Wilson, no ano passado, comemora seu novo papel. Ela é “Antígona”, da tragédia grega Sófocles, que estreou nesta quinta (17), no Ágora Teatro, em São Paulo, onde fica em cartaz até 1º de outubro de quinta a domingo. “É uma das mais importantes entre as figuras femininas já escritas. É uma honra poder representá-la, especialmente no trágico momento político que nosso país enfrenta atualmente”, diz a atriz, que contracena com Pascoal da Conceição e Celso Frateschi na peça.

Pioneiras
“Ser uma atriz de fenótipo negro no Brasil a executar o papel escrito por Sófocles há quase de 2500 anos atrás me causa, sem dúvida, muito estímulo, ao mesmo tempo que uma certa tristeza por não ter conhecimento de referências anteriores”, fala Naruna à coluna. A coluna lembra que, em versão adaptada do texto clássico, Vilma Melo, premiada atriz negra carioca, já viveu também a personagem em “AntígonaCreonte”, em 2016. Já Roberta Estrela D’Alva, importante atriz negra do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, de São Paulo, fez a peça “Antígona Recortada — Contos que Cantam sobre Pousopássaros”, em 2013, outra versão inspirada no original grego.

Naruna Costa como Elza Soares em “Garrincha”, de Bob Wilson – Foto: Bob Sousa

Enterrar o irmão
Segundo ela, a escolha do elenco sob direção do carioca Moacir Chaves não passou pela premissa étnica. “A montagem não propõe de antemão uma discussão racial, no entanto, compreendemos a dimensão política que ganha essa figura – cujo enredo é a luta pelo direito de enterrar o corpo de seu irmão morto –  ao ser representada no Brasil por uma mulher negra”, avisa.

Genocídio
Naruna afirma que o Brasil é “um país que extermina sua população pobre e negra, desaparecendo com seus corpos de maneira institucionalizada, sem garantir, ao menos o direito à lamentação”, lembrando o revoltante caso de Amarildo.

Naruna Costa ganha o beijo de Elza Soares no camarim de “Garrincha”, de Bob Wilson – Foto: Divulgação

Racismo no teatro?
A coluna perguntou se os diretores e produtores teatrais ainda são racistas no Brasil. Eis a resposta de Naruna: “O país é racista, os meios de produção estão nas mãos dos racistas e é claro que o teatro também vai reproduzir esse contexto. No entanto, há quem esteja produzindo conteúdos que combatam bravamente essa lógica”, fala, reforçando a importância do teatro de grupo na construção de novos discursos. “Eu não sou uma atriz ‘de elenco’ no palco”, conta.

Autonomia
Naruna prossegue: “O teatro está reservado na minha vida em um espaço que conserva, sobretudo, a autonomia. Eu escolho o que falar, onde falar e como falar. Faço parte do Grupo Clariô de Teatro, ali exercito livremente minha poética e meu discurso e os levo para dialogar em espaços que acredito valer a pena. Tenho muita consciência sobre os convites que aceito fazer em teatro fora de meu terreiro, como foi o caso de Elza Soares, na montagem “Garrincha” de Bob Wilson, e agora “Antígona”, do Teatro Ágora. Acredito na mudança, até por motivos de sobrevivência, porque do contrário, o teatro estaria morto”, conclui.

O cantor Silva – Foto: Jorge Bispo/Divulgação

Barulhinho bom
O cantor Silva faz seu show tributo a Marisa Monte no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, em 22 de agosto, uma terça, às 21h. Os ingressos já estão à venda.

Bom companheiro
Marcus Preto, o homem que sacode a atual MPB, dirige Silva no show. Danado.

Fora do ninho
Filha de ninguém menos que Paulo José e Dina Sfat, a atriz Ana Kutner estreou a peça “Passarinho” no Sesc Pinheiros, em São Paulo, nesta quinta (17). Fica até 16 de setembro, de quinta a sábado. Vai, gente.

Dan Stulbach e Maíra Chasseraux em cena da peça “Morte Acidental de um Anarquista”- Foto: João Caldas/Divulgação

De volta
Dan Stulbach avisa a coluna que está de volta a São Paulo com sua peça “Morte Acidental de um Anarquista”. Desta vez aportou no Teatro Gazeta, onde faz sessões sábado, 22h, e domingo, 20h, até 12 de novembro. Estão todos convidados.

Não dê bobeira
A peça “Morte Acidental de um Anarquista” não fará sessões nos dias 26 de agosto e 16 e 17 de setembro. Anotou?

A autora Maria Adelaide Amaral: peça da dramaturga ganha leitura sob comando de José Possi Neto na Casa do Saber – Foto: João Miguel Jr./Divulgação

Leitura
José Possi Neto dirige a leitura da peça “De Braços Abertos”, de Maria Adelaide Amaral, no dia 26 de agosto, na Casa do Saber. O ciclo de leituras dramatúrgicas é idealizado por Maria Fernanda Cândido, que é sócia do espaço.

Sob direção
Atualmente, José Possi Neto dirige a comédia “Amigas, pero no Mucho”, de Célia Regina Forte, no Teatro Folha.

A atriz Maitê Schneider: ela está na peça “Nossa Senhora das Transexuais”, que faz financiamento coletivo para estrear em outubro – Foto: Edson Lopes Jr.

Nova paulistana
A paranaense Maite Schneider, celebrada atriz trans que já foi tema até de documentário no canal gringo National Geographic, está cada vez mais adaptada a São Paulo, para onde se mudou no começo do ano. Tanto que já ensaia a segunda peça na metrópole.

Help
Maite é uma das estrelas da peça “Nossa Senhora das Transexuais”, de Marcio Tito Pellegrini e direção de Fabricio Castro com o Teatro Sem Censura. A estreia está prevista para outubro. No momento, Maite pede ajuda para o financiamento coletivo da obra. “Qualquer ajuda é mega bem-vinda”, avisa a moça. Colabore.

“Farinha com Açúcar”: sessões gratuitas no Teatro Paulo Eiró, em SP, no fim de semana – Foto: Leonardo Lima/Clix

Racional
O Coletivo Negro apresenta a celebrada peça “Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens”, com músicas dos Racionais MC’s no Teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro, zona sul paulistana, com entrada gratuita neste fim de semana. Sexta e sábado, 21h, e domingo, 19h. Corra, que os ingressos vão se esgotar rapidinho.

“Trate-me Leão”, em 1978 – Foto: Teresa Pinheiro/Arquivo Enciclopédia Itaú Cultural

Sessão nostalgia
“Trate-me Leão”, peça de Hamilton Vaz Pereira montada pelo grupo carioca Asdrúbal Trouxe o Trombone sob direção do mesmo, ganhou leitura no Tucarena, em São Paulo, na última quarta (16). A sessão celebrou os 40 anos do lendário grupo que revelou nomes como Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Patrícia Travassos e Evandro Mesquita. Ótima iniciativa no país desmemoriado.

Cia. Contraste apresenta “Sertão Encantado” às quartas e quintas na Roosevelt – Foto: Natha Felix/Divulgação

Luar do sertão
A peça “Sertão Encantado”, dirigida e escrita por Diego Summer, reestreou no Espaço dos Parlapatões, na praça Roosevelt, em São Paulo. Fica por lá quartas e quintas, 21h, até 6 de setembro, com ingresso a R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia. Forró não vai faltar.

Turma arretada
Estão no elenco de “Sertão Encantado” os atores Alessandra Thaz, Ariane Roveri, Diego Summer, Glauber Amaral e Matheus Leite. Além dos músicos Vinicius Saldaña, Danilo Andrade e Gabriel Camilo e a participação especial de Luciano do Pífano e Wanderson Henrique. A direção musical é de Ricardo Saldaña.


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Sobre o autor

Miguel Arcanjo Prado é jornalista formado pela UFMG, pós-graduado na USP e mestrando em Artes na UNESP. É vice-presidente da APCA. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV UFMG, O Pasquim 21, TV Globo, Curso Abril de Jornalismo, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, R7, Record e Record News.

Sobre o blog

O Blog do Arcanjo conta de um jeito leve e inteligente o que rola nos palcos e nos bastidores do mundo do Entretenimento.

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