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Malhação acerta ao abordar abuso sexual dentro de casa

Miguel Arcanjo Prado

14/12/2017 10h49

A diretora Dóris (Ana Flávia Cavalcanti) e a aluna K1 (Talita Younan) diante da delegada Andrezza (Cristina Flores): “Malhação'' presta serviço à sociedade ao abordar abuso dentro de casa – Foto: Mauricio Fidalgo/Globo/Divulgação

Os telespectadores de “Malhação – Viva a Diferença” acompanham nestes últimos capítulos o drama de K1, adolescente interpretada pela jovem atriz Talita Younan. A personagem é vítima de abuso sexual dentro de casa por parte do namorado de sua mãe na novela concebida por Cao Hamburger e dirigida por Paulo Silvestrini. A trama tem colaboração dos roteiristas Jaqueline Vargas, Luciana Pessanha, Vitor Brandt, Carolina Ziskind, Mário Viana, Renata Martins e Bruno Lima Penido.

Ao expor tal situação a adolescentes de todo o Brasil, “Malhação'' acerta e preta um serviço a milhares de meninas que passam pelo mesmo problema sem saber como lidar com ele, sofrendo com o silêncio que acaba protegendo seus abusadores de serem pegos.

Em “Malhação – Viva a Diferença”, como na vida real, a menina demonstra os sintomas do abuso ao chorar constantemente na escola e não querer retornar à casa, até criar coragem para contar o que aconteceu às amigas, que a acompanham à sala da diretora Doris (Ana Flávia Cavalcanti), na escola pública que frequenta.

A cena na qual a menina revela para a educadora que o namorado de sua mãe, Roger (José Karini), entrou no banheiro enquanto ela tomava banho para olhá-la nua foi tocante. Talita Younan demonstrou maturidade cênica e entrega absoluta ao drama de sua personagem nesta grande cena.

Ao tocar neste assunto espinhoso, a novela ajuda adolescentes reais, sobretudo quando mostra a diretora acompanhando a aluna à delegacia de mulheres para fazer a denúncia. Porque abuso sexual é crime.

A cena realmente mexeu com os sentimentos de qualquer telespectador com mínima dose de sensibilidade. Ver aquela adolescente ali na delegacia, exposta ao sistema, foi comovente. Cristina Flores, como a delegada Andrezza, demonstrou firmeza e acolhimento ao contracenar com Talita.

O mais chocante e cruel foi a mãe de K1, Kátia (Dig Dutra), surge na delegacia e não acredita no depoimento da filha, preferindo proteger o namorado assediador, dizendo para a delegada que a menina “não é flor que se cheire”.

A cena foi de uma violência verbal aterradora que explicitou o estado de ausência e de falta de auxílio em casa daquela menina, tão sozinha e desamparada em sua angústia. Igual a tantas garotas deste triste Brasil.

Nos próximos capítulos, felizmente, a mãe vai parecer arrependida de seu comportamento torpe e prometerá à menina que colocará o namorado na cadeia.

Que a realidade possa copiar a ficção.

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Sobre o autor

Miguel Arcanjo Prado é jornalista formado pela UFMG, pós-graduado na USP e mestrando em Artes na UNESP. É vice-presidente da APCA. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV UFMG, O Pasquim 21, TV Globo, Curso Abril de Jornalismo, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, R7, Record e Record News.

Sobre o blog

O Blog do Arcanjo conta de um jeito leve e inteligente o que rola nos palcos e nos bastidores do mundo do Entretenimento.