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Carlinhos Brown é criticado por cobrar ingresso em festa para Yemanjá

Miguel Arcanjo Prado

02/02/2019 17h20

Carlinhos Brown causa polêmica na Bahia ao cobrar ingresso em festa de Yemanjá: religiosos de matriz africana não gostaram – Foto: Divulgação/Globo – Blog do Arcanjo – UOL

O músico baiano Carlinhos Brown, 56 anos, está sendo criticado em Salvador por fazer uma festa fechada com cobrança de ingresso para celebrar Yemanjá neste sábado (2), dia do orixá das águas salgadas.

Em entrevista à Rádio Metrópole de Salvador, o historiador Jaime Nascimento afirmou que estão mercantilizando uma festa de cunho religioso e usando o orixá para ganhar dinheiro.

"É abuso do ponto de vista de se apropriar de uma coisa que é sagrada. Usar o sagrado do outro para fazer comércio", afirmou o estudioso.

Nascimento condenou o evento fechado "Enxaguada de Yemanjá", a pré-folia com o nome do orixá promovida pelo músico Carlinhos Brown no bairro do Rio Vermelho, no Antigo Mercado do Peixe, na tarde e noite deste sábado (2).

"Que faça a enxaguada do Bonfim, que é uma lavagem. Mas numa festa do povo dele, já que ele é homem negro e diz que é ligado ao candomblé, fazer a enxaguada de Yemanjá é um pouquinho demais", criticou Nascimento. Brown não comentou a polêmica.

Os ingressos para a "Enxaguada de Yemanjá" variaram de R$ 70 a R$ 120 no 1º lote, apurou o Blog do Arcanjo no UOL. Entre as atrações da festa estão Jorge Aragão, Dudu Nobre, Mariene de Castro e Timbalada.

Cadê o nome do orixá? Cartazes da Festa de Yemanjá causaram polêmica na Bahia – Foto: Reprodução/Divulgação/PRefeitura de Salvador – Blog do Arcanjo – UOL

Sumiço de Yemanjá no cartaz gera polêmica

Outra polêmica em Salvador se deu por conta dos cartazes da celebração de Yemanjá na cidade.

A Prefeitura de Salvador usou o termo "Festa 2 de Fevereiro" nos cartazes da festa religiosa, em vez de "Festa de Yemanjá". Houve quem enxergasse um possível racismo ou perseguição com a divindade africana por parte do poder público.

Membros das religiões de matriz africana criticaram a Prefeitura soteropolitana, acusando-a de tentar esconder o nome do orixá. Até o Ministério Público da Bahia foi acionado, exigindo que o nome de Yemanjá voltasse ao cartaz.

Diante das reclamações e da polêmica, os cartazes públicos voltaram a ter o nome da Rainha das Águas: "Festa de Yemanjá".

Cartaz com o nome de Yemajá recomendado pelo Ministério Público da Bahia – Foto: Divulgação/MP – Blog do Arcanjo – UOL

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Sobre o autor

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes Cênicas pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, TV Globo Minas, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia e Band. Foi eleito duas vezes um dos dez melhores jornalistas de Cultura em Mídia Eletrônica do Brasil pelo Prêmio Comunique-se.

Sobre o blog

O Blog do Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e bastidores do Entretenimento e da Cultura de um jeito leve e inteligente.