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50 anos da Batalha gay de Stonewall inspira peça de Thiago Mendonça

Miguel Arcanjo Prado

2019-06-20T19:15:00

19/06/2019 15h00

Thiago Mendonça com a boneca Judy Garland, sua colega de cena em seu primeiro espetáculo solo "Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral", que estreia em 28 de junho no Espaço dos Satyros Um da praça Roosevelt – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

A Batalha Gay de Stonewall, em Nova York, abriu caminho para a luta LGBT+ em todo o mundo e inspira a primeira peça solo do ator Thiago Mendonça. A estreia da primeira produção em São Paulo da carioca Cia. de Teatro Íntimo está marcada justamente para o dia em que o fato histórico completa 50 anos.

O espetáculo "Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral" faz sua primeira sessão às 23h30 de 28 de junho, uma sexta-feira, no Espaço dos Satyros, em São Paulo, onde ficará em temporada às sextas e sábados, às 23h30 [veja serviço completo ao fim].

Elogiado pela crítica e pelo público por sua interpretação do cantor e compositor Renato Russo em 2013 no filme "Somos Tão Jovens", Thiago segue o caminho do roqueiro e ídolo à sua maneira.

Nas filmagens, ficou amigo de Carlos Trilha, que fez a direção musical do filme e também de um disco importante na carreira do líder da Legião Urbana: seu primeiro álbum solo, "The Stonewall Celebration Concert", que em 1994 comemorou os 25 anos de Stonewall.

Thiago Mendonça no filme "Somos Tão Jovens", no qual viveu Renato Russo, que celebrou Stonewall em disco nos 25 anos da famosa batalha gay – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

"O Renato era cantor, então fez um disco. Eu, como ator, resolvi fazer um espetáculo de teatro, 25 anos depois, para lembrar os 50 anos de Stonewall. Para construir a dramaturgia, parti também das minhas experiências", revela o ator carioca radicado há cinco anos na capital paulista ao Blog do Arcanjo.

Para ajudar no processo, convocou o diretor Renato Farias, que se transferiu momentaneamente do Rio para São Paulo para dirigir a peça e construir em conjunto com o ator a dramaturgia original.

"É um teatro documentário que parte do ator, é uma ajuda que dou para organizar a cena", afirma Farias. O diretor conta que buscou criar uma atmosfera de comunhão entre Thiago e o público, com o ator atento a cada espectador. "Não há teatro sem troca, e essa troca do Thiago com o público traz vida ao espetáculo", explica.

Thiago Mendonça com Renato Farias, que construiu com ele a dramaturgia de "Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral" e também dirige o espetáculo – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

A equipe da peça ainda traz assistência de direção de Fernanda Boechat, iluminação de Tabatta Martins, figurino e adereços de Lila Medeiros, direção de movimento de Gaby Haviaras, coreografia vogue de Dado Araújo, preparação vocal de Dody e direção de arte do próprio Thiago Mendonça.

No mergulho criativo para o espetáculo, Thiago viajou a Nova York no último mês de maio, para fazer uma pesquisa de campo e investigar de perto a história que mudou a liberdade gay em todo o mundo e influenciou as Paradas do Orgulho LGBT+ por todos os continentes.

Renato Faria, diretor de "Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral", coloca Thiago Mendonça em relação direta com o público – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

No dia 28 de junho de 1969, cerca de 200 gays que estavam no bar Stonewall Inn, no bairro Greenwich Village, em Nova York, cerca de 200 frequentadores reagiram à violência policial, no que ficou conhecido como Batalha de Stonewall — também chamada de Levante de Stonewall ou Revolta de Stonewall.

Na época, os Estados Unidos tinham severas leis que reprimiam a homossexualidade, o que gerava abusos policiais e da sociedade como um todo contra esta parcela da população.

Batalha de Stonewall em Nova York em 1969 marcou a luta pelos direitos LGBT+s no mundo todo – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

A histórica revolta gay virou manchete nos jornais nova-iorquinos, levantando a discussão sobre o respeito à diversidade sexual e a descriminalização da homossexualidade, bem como incentivou a organização do Movimento Gay como forma desta parcela populacional se unir na luta para a reivindicação de direitos sociais, sobretudo em forma de grandes marchas.

A Parada Gay, que lá nasceu, foi copiada por LGBT+s em todo o mundo – a de São Paulo, a maior do mundo, é realizada neste domingo (23) e também celebra o meio século de Stonewall.

Thiago Mendonça posa com bonecos e bonecas de sua coleção particular que são seus companheiros de cena no espetáculo "Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral", que estreia em 28 de junho no Satyros da praça Roosevelt, em SP – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

"Em 1969, Nova York vivia um cenário de efervescência cultural, com o movimento hippie, a geração beat, a crítica à Guerra do Vitnã e a mobilização de mulheres e negros pelos seus direitos. A sociedade começava a ganhar consciência pela luta por igualdade. E Stonewall marcou a entrada da comunidade LGBT+ nesta luta", fala Thiago.

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O artista compara a região de Stonewall à praça Roosevelt onde estreia sua peça. "Assim como Stonewall e o Village no final dos anos 1960, a praça Roosevelt bem como o Satyros são espaços que abrigam as pessoas sem preconceitos. E São Paulo é como Nova York, uma cidade para onde rumam os gays de todo o país buscando reconstruir suas vidas no anonimato e longe do preconceito e da repressão familiar. Então, tem tudo a ver essa peça estrear justamente neste lugar", afirma.

O ator Thiago Mendonça no Espaço dos Satyros Um, onde estreia seu primeiro espetáculo solo "Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral", em 28 de junho – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

"Em Nova York, naquela época, existia uma Lei que definia que uma pessoa precisava usar no mínimo três peças de roupa que correspondessem ao seu gênero de nascimento. Essa lei era usada para prender travestis, as queens ou kings", revela sobre sua minuciosa pesquisa. "Os estabelecimentos também eram proibidos de vender bebida 'para este tipo de gente'", conta.

O único bar que fugia à regra era Stonewall, então controlado pela máfia italiana que peitava a lei nova-iorquina para ganhar o "pink-money", como é chamado o dinheiro da comunidade LGBT+. "A liberdade que cada LGBT+ goza hoje, como agora que a homofobia no Brasil foi comparada ao crime de racismo em decisão histórica no Supremo Tribunal Federal, é devida a Stonewall", pontua.

Bonecas de Thiago Mendonça representam os LGBTs que disseram não à violência policial e social em Stonewall – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

Thiago lembra a figura icônica que disparou essa reação nos frequentadores. "No meio da confusão da batida agressiva da polícia em Stonewall, o drag king Stormé Delarverie resolveu revidar e deu um soco no policial, sendo ainda mais brutalmente agredida. Então, ela virou para a multidão de frequentadores de Stonewall e questionou: 'Vocês não vão fazer nada?'.

A pergunta foi o estopim para a reação gay, que enfrentou a brutalidade da polícia com moedas, pedras e pedaços de pau. O levante deixou claro que os gays, a partir de então, não mais aceitariam ser saco de pancada nem da polícia nem da sociedade. "Aquelas pessoas anônimas que se revoltaram contra a repressão de uma sociedade patriarcal foram heroínas e merecem ser celebradas", finaliza o ator.

"Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral"
com Thiago Mendonça; direção de Thiago Mendonça e Renato Farias
Quando: Sextas e Sábados, 23h30. 50 min. De 28/6 a 27/7/2019
Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Franklin Roosevelt, 214, Consolação, metrô República ou Higienópolis-Mackenzie, São Paulo, tel. 11 3258-6345).
Quanto: R$40 inteira e R$ 20 meia.
Classificação: 14 anos

Thiago Mendonça estreia "Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral", para lembrar meio século da histórica luta LGBT+ em Nova York – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

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Sobre o autor

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, TV Globo Minas, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes, Risadaria e Aplauso Brasil. Foi eleito duas vezes um dos dez melhores jornalistas do Brasil na categoria Cultura em Mídia Eletrônica pelo Prêmio Comunique-se.

Sobre o blog

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