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Morre João Gilberto, e o Brasil fica sem música, completamente desafinado

Miguel Arcanjo Prado

06/07/2019 16h39

João Gilberto toca no Festival de Águas Claras em São Paulo na década de 1980 em registro do filme "O Barato de Iacanga", de Thiago Mattar – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

A morte de João Gilberto neste sábado (6) aos 88 anos deixa o Brasil sem música, completamente desafinado.

O genial músico baiano criador da batida da bossa nova e de um jeito de interpretar que influenciou artistas não só do Brasil como de todo o mundo era a própria definição de um ser musical.

A música habitava em João Gilberto, que por ela nutria devoção e respeito absolutos.

Talvez, por não suportar os excessos do mundo contemporâneo, cada vez mais mergulhado em barulhento descompasso, ele tenha se retirado nos últimos anos, isolando-se na acústica perfeita de seu apartamento no Leblon, para infortúnio de todos nós.

Tive o privilégio de ver João Gilberto de perto uma única vez.

Justamente naquele que seria seu último show, em 2008, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

Então repórter da Ilustrada na Folha de S.Paulo, fui escalado para cobrir sua chegada e saída do tão esperado concerto.

Lembro-me do arrepio que senti ao vê-lo sair do carro, já bastante atrasado, e do olhar que me deu quando gritei, na companhia de uma multidão de repórteres, por seu nome.

Enquanto via seu rosto ser iluminado pelos múltiplos flashes ao percorrer o curto caminho entre o carro e a entrada do camarim, ele me deu um sorriso com toda a candura do mundo.

Aquele gesto de paz em meio ao caos foi inesquecível e, diante dele, tive a certeza de que aquela seria a primeira e última vez que estaria diante de um dos maiores gênios da música do mundo.

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Sobre o autor

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, TV Globo Minas, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes, Risadaria e Aplauso Brasil. Foi eleito duas vezes um dos dez melhores jornalistas do Brasil na categoria Cultura em Mídia Eletrônica pelo Prêmio Comunique-se.

Sobre o blog

O Blog do Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e bastidores do Entretenimento e da Cultura de um jeito leve e inteligente.