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Por que muitas peças não respeitam o tempo de duração informado ao público?

Miguel Arcanjo Prado

31/07/2019 08h17

William Shakespeare: nem ele ficaria contente com espetáculos que duram mais do que informam ao público – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Quem frequenta o teatro cotidianamente, caso deste colunista e crítico, já reparou uma situação bem incômoda: muitos espetáculos não estão respeitando o tempo de duração que informam ao seu público.

E esse deslize para mais não é de dois, cinco nem dez minutos. O relógio deste jornalista já observou produções ultrapassarem 15, 20, 30 e até mesmo 45 minutos do que foi informado previamente na divulgação das peças e musicais.

A pergunta que este escriba se faz é a mesma que o público deve pensar diante de situações do tipo: por que mentiram para mim?

Tudo bem, não é uma mentira com gravidade catastrófica. Mas, não deixa de ser mentira.

E sentir-se enganado não é uma situação agradável para nenhuma relação.

Mesmo que boa parte dos diretores em atividade em São Paulo tenha sérios problemas com a síntese, não conseguindo cortar um minuto sequer do que pensam ser suas obras-primas, eles precisam então ser verdadeiros com seu público na hora de informar a duração de seus espetáculos.

Se optou por fazer uma peça longuíssima, dessas que até mesmo a mãe dos atores tira um cochilo durante o espetáculo, que se informe devidamente ao espectador quanto tempo ele terá de ficar dentro da sala teatral, para que este possa ter noção exata da duração do programa que escolheu fazer.

O que não pode acontecer é o público se programar para assistir uma peça durante um tempo e, já aprisionado na plateia, ela durar bem mais.

Isso é enganar aquele que saiu de casa para prestigiar a arte e talvez tenha pensado fazer algo depois da peça, programa este que será prejudicado com atrasos e, sobretudo, duração em excesso.

Passar por situações assim pode fazer com que o público enganado tome birra de teatro e não volte mais, preferindo ir, por exemplo, ao cinema, onde o filme jamais vai durar mais do que foi informado. É preciso se atentar: o público, sobretudo nestes bicudos tempos contemporâneos, precisa ser tratado com todo carinho e verdade do mundo.

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Por que algumas peças estão mentindo a duração para o público? – Foto: Reprodução – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Sobre o autor

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, TV Globo Minas, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes, Risadaria e Aplauso Brasil. Foi eleito duas vezes um dos dez melhores jornalistas do Brasil na categoria Cultura em Mídia Eletrônica pelo Prêmio Comunique-se.

Sobre o blog

O Blog do Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e bastidores do Entretenimento e da Cultura de um jeito leve e inteligente.