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Andradina Azevedo e Dida Andrade retornam a Gramado com 30 Anos Blues

Miguel Arcanjo Prado

15/08/2019 17h00

Dida Andrade e Andradina Azevedo: dupla de cineastas paulistas está de volta ao Festival de Cinema de Gramado com "30 Anos Blues", segundo longa-metragem após a estreia de ouro com "A Bruta Flor do Querer", ganhador de dois Kikitos (direção e fotografia) em 2013 – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Jovens e ao mesmo tempo já experientes e premiados, os cineastas Andradina Azevedo e Dida Andrade se preparam para uma espécie de volta às origens. "30 Anos Blues", segundo longa da dupla de diretores paulistas, estreia no 47º Festival de Cinema de Gramado, o mais importante evento cinematográfico do Brasil, que começa nesta sexta (16) e vai até 24 de agosto.

A exibição de "30 Anos Blues" é a última entre os longas nacionais da mostra competitiva e está marcada para 23 de agosto, às 21h, no Palácio dos Festivais, na charmosa cidade da serra gaúcha.

Com produção de Mayra Faour Auad, da Yourmama, ao lado de Dida e Andradina, o filme acompanha a história de dois casais que têm suas vidas transformadas após um reencontro de ex-colegas de faculdade. A chegada aos 30 anos afeta, em várias camadas, a vida desses personagens que chegam à idade adulta, mas não querem deixar de ser crianças.

Andradina Azevedo e Dida Andrade em cena de "A Bruta Flor do Querer": primeiro longa da dupla rendeu dois Kikitos no Festival de Gramado de 2013- Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Mais uma vez, o tom confessional promete ser a tônica do longa ainda inédito, como foi no filme de estreia da dupla, "A Bruta Flor do Querer", no qual a melancólica canção "20 Anos Blues", cantada por Elis Regina, sintetizava a alma do longa sobre jovens urbanos com mais de 20 anos e repletos de perguntas sem respostas.

"A Bruta Flor do Querer" deu aos dois então estreantes no cinema a consagração logo de cara: Andradina e Dida ganharam dois Kikitos, o de Melhor Direção e o de Melhor Fotografia.

Assim como no filme de estreia, os dois amigos cineastas são os protagonistas de "30 Anos Blues", que ainda conta no elenco com Carol Melgaço, Julia Lanina, Adriano Toloza, Juan Manuel Tellategui, Fábio Penna, Danielle Rosa e Mariana Hein, além de participação especial da atriz Cláudia Alencar.

Nesta Entrevista de Quinta, o Blog do Arcanjo conversou com exclusividade com a dupla de cineastas sobre este momento especial.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — O que significa Festival de Gramado pra vocês?
Dida Andrade – Tenho dois capítulos da minha adolescência muito vivos na memória. O primeiro é o filme "Cidade de Deus", que foi o que me fez cursar cinema. O segundo vem da memória de um amigo – o ator Bruno Giordano – que tinha um Kikito na prateleira de sua casa. Eu, um jovem magrelo e cheio de espinhas, olhava com um desejo ardente para aquela estatueta. Mesmo com minha timidez, prometi que um dia teria a minha própria estatueta. Quase dez anos depois, fiz minha estreia com meu primeiro longa-metragem – "A Bruta Flor do Querer" – no festival de Gramado. O júri surpreendeu a todos quando nos deram os prêmios de Melhor Fotografia e Melhor Direção.
Andradina Azevedo – Constantemente ainda me pergunto "pra que tudo isso, por que continuar fazendo cinema?" E diariamente temos todos os motivos para desistir ou fazer outra coisa. É o mais aconselhável. Mas foi o Festival de Gramado que nos momentos mais difíceis de nossas vidas e carreiras surgiu divinamente para dizer que continuássemos em nossa profissão.

Dida Andrade e Andradina Azevedo discursam no 41º Festival de Cinema de Gramado, em 2013, ao ganharem dois Kikitos para o filme de estreia da dupla, "A Bruta Flor do Querer" – Foto: Edison Vara/PressPhoto – Divulgação – Arquivo Blog do @miguel.arcanjo UOL

Miguel Arcanjo Prado – Como vocês reagiram ao ganhar de cara dois Kikitos, Melhor Direção e Melhor Fotografia, logo com o filme de estreia de vocês, "A Bruta Flor do Querer"?
Dida Andrade – Éramos muito jovens, e a classe cinematográfica queria ver o que "aqueles moleques doidos" estavam produzindo. Foi assim que tive a honra de mostrar o filme para o Fernando Meirelles e para o meu deleite receber elogios de quem me inspirou a fazer cinema. Agora aquele jovem estranho e desengonçado tinha seu Kikito, o reconhecimento de seu mestre e não era mais BV.

Miguel Arcanjo Prado – Não mesmo.
Dida Andrade – Mas como a vida é cheia de complicações, depois caí em outros buracos, que me fizeram duvidar se conseguiria sair um dia. Com a ajuda do meu parceiro e irmão Andradina Azevedo, foquei no trabalho e demos vozes para as nossas inquietações em nosso segundo filme, "30 Anos Blues".

Claudia Alencar e Andradina Azevedo em cena de "30 Anos Blues": segundo filme de Andradina Azevedo e Dida Andrade estreia no 47º Festival de Cinema de Gramado – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Miguel Arcanjo Prado – Como é voltar a Gramado, agora com "30 Anos Blues"?
Dida Andrade – Receber a notícia que fomos selecionados para o 47º Festival de Cinema de Gramado me fez sentir o fogo da juventude. Agora é rock and roll!
Andradina Azevedo – Sermos selecionado novamente é a prova de que o Festival tem um compromisso sério com o cinema e com a arte. Coisa rara hoje em dia. Nosso primeiro longa – "A Bruta Flor do Querer" – não tinha orçamento algum, ninguém famoso, nem sequer uma produtora envolvida. Ninguém nos conhecia. Nunca tivemos "contatos" e a bolha do cinema tem uma casca árdua. O filme chegou pelo correio e foi assistido e selecionado pelo Marcos Santuário e nosso anjo da guarda Rubens Ewald Filho. Isso foi um ato de coragem do Festival de Gramado. Sei que nossa vaga podia ser de muitos filmes grandes, com grandes nomes e grandes produtoras. Tiveram a coragem, sensibilidade e ousadia de apostar no nosso trabalho. Isso não se apaga da nossa vida. Um dia pode vir Cannes, Oscar, o que for… mas o festival de Gramado terá sempre o intocável lugar em nossos corações.

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Andradina Azevedo e Carol Melgaço em cena de "30 Anos Blues", que encerra a mostra competitiva do 47º Festival de Cinema de Gramado – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Sobre o autor

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, TV Globo Minas, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes, Risadaria e Aplauso Brasil. Foi eleito duas vezes um dos dez melhores jornalistas do Brasil na categoria Cultura em Mídia Eletrônica pelo Prêmio Comunique-se.

Sobre o blog

O Blog do Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e bastidores do Entretenimento e da Cultura de um jeito leve e inteligente.